176 ativistas da flotilha para Gaza desembarcaram em Creta
Cento e setenta e seis ativistas da Flotilha `Global Sumud` desembarcaram hoje em Creta, na Grécia, depois de detidos ao largo de Creta pelo exército israelita durante uma viagem com destino a Gaza.
Os ativistas foram detidos na quinta-feira a bordo de cerca de duas dezenas de embarcações que navegavam em águas internacionais e muito afastadas das costas israelitas, tendo sido conduzidos para a ilha grega na sequência de um acordo entre Israel e a Grécia, segundo a informação divulgada hoje pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) grego.
Das 176 pessoas que chegaram a Creta, 31 foram transferidas para receberem primeiros socorros num hospital de uma cidade cretense próxima do porto de Atherinolakkos, onde os ativistas desembarcaram.
Os restantes ativistas foram transferidos para o aeroporto internacional de Heraclião, a capital de Creta, para serem repatriados, refere, no comunicado, o MNE grego.
As autoridades não deram quaisquer outros detalhes sobre o estado de saúde dos ativistas que deram entrada no hospital, nem informações sobre a sua nacionalidade.
O desembarque foi coordenado pelo MNE grego, pela guarda costeira, pelo Estado-Maior do Exército Grego e pelo município de Creta, tendo ocorrido "em condições particularmente difíceis" para garantir a "segurança e proteção" dos envolvidos.
Escoltados pela guarda costeira grega, os ativistas, na sua maioria cidadãos de países europeus, foram posteriormente conduzidos a bordo de quatro autocarros, constatou um jornalista da AFP no local.
Ao aproximarem-se do porto cretense, os ativistas entoaram, em inglês, a expressão "Palestina livre!".
Segundo o porta-voz do MNE israelita, Oren Marmorstein, "todos os ativistas da flotilha encontram-se agora na Grécia, com exceção de Saif Abu Keshek e Thiago Ávila".
O MNE de Israel acusa Saif Abu Keshek de "pertencer a uma organização terrorista" e o ativista brasileiro Thiago Ávila de realizar "atividades ilegais", e indicou que os dois "serão transferidos para Israel para serem interrogados", segundo uma informação publicada na conta na rede social X (antigo Twitter).
O Governo espanhol exigiu a libertação imediata do ativista espanhol Saif Abu Keshek.
Na noite de quarta para quinta-feira, Israel afirmou que 175 ativistas (211 segundo os organizadores da frota) em cerca de vinte embarcações tinham sido detidos ao largo de Creta, no Mediterrâneo Oriental, e estavam a caminho de Israel.
Numa conferência de imprensa online realizada na quinta-feira, os organizadores da flotilha afirmaram que vários das suas embarcações foram intercetados em águas internacionais, a uma distância "sem precedentes" de Israel, e que "211 pessoas tinham sido sequestradas".
A secção grega da organização não-governamental MarchToGaza, que participa na fllotilha, disse que a detenção foi ilegal e acusou o Governo grego de encobrir "uma operação internacional de sequestro de cidadãos de países terceiros" e de consentir "violações flagrantes do direito internacional humanitário e do direito do mar".
O Governo grego disse, na quinta-feira, que a interceção israelita ocorreu em águas internacionais a noroeste de Creta, onde a Grécia não tem o direito de intervir.
Vários Estados, cujos cidadãos se encontram entre as pessoas detidas, reagiram, com a Itália a solicitar nomeadamente a sua libertação, enquanto Espanha, Turquia e Paquistão denunciaram "violações flagrantes do direito internacional" por parte de Israel.
Pelo menos três portugueses participam na flotilha, avançou na quinta-feira o Governo de Portugal, adiantando aguardar que Israel confirme se estavam entre os detidos na interceção de alguns barcos realizada quarta-feira à noite.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Rangel, disse na quinta-feira que o embaixador israelita foi chamado para dar explicações sobre a detenção de ativistas pró-palestinianos, garantindo que as autoridades consulares estão preparadas para acolher os portugueses, na Grécia ou em Israel.
Composta inicialmente por mais de 50 embarcações, a frota tinha como objetivo, segundo os organizadores, quebrar o bloqueio da Faixa de Gaza e levar ajuda humanitária ao território palestiniano, cujo acesso continua amplamente restrito, apesar de um cessar-fogo entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas, em vigor desde outubro.