Abrem as urnas na Arménia para legislativas marcadas por desinformação pró-russa

Abrem as urnas na Arménia para legislativas marcadas por desinformação pró-russa

As urnas abriram hoje na Arménia para as eleições legislativas, marcadas por uma intensa campanha de desinformação atribuída à Rússia, e vistas como um teste à postura pró-europeia do primeiro-ministro Nikol Pashinyan.

Lusa /

O partido de Pashinyan, Contrato Cívico, lidera todas as sondagens, apesar de ser criticado pela perda da região de Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão e pelho falhanço em desmantelar o sistema oligárquico da Arménia.

Um total de 19 partidos e blocos disputam os 101 lugares no parlamento.

O Contrato Cívico enfrenta uma oposição liderada pela coligação Arménia Forte, associada à influência russa nesta antiga república soviética.

No sábado, na véspera das eleições, as autoridades arménias anunciaram a detenção de mais de 40 pessoas suspeitas de compra de votos, ligadas ao Arménia Forte.

Um candidato a deputado, em conluio com um grupo de pessoas, pagou entre 100 mil e 500 mil drams (entre 230 e 1.140 euros) a mais de uma centena de eleitores para que votassem na Arménia Forte, avançou a agência Armenpress.

As forças de segurança continuam a trabalhar para identificar e deter os outros cúmplices do esquema criminoso, bem como os indivíduos que aceitaram os subornos.

Nikol Pashinián apelou na sexta-feira, no comício de encerramento da campanha, à polícia, para que detivesse os políticos que se dedicam a falsificar as eleições através do pagamento de subornos.

O primeiro-ministro acusou a Arménia Forte e outros partidos de trabalharem para potências estrangeiras, numa clara alusão à Rússia.

Segundo meios de comunicação independentes, Moscovo terá investido grandes quantias de dinheiro numa campanha mediática de desprestígio contra Pashinian, o que incluiria o plano de pagar a viagem de avião a milhares de arménios residentes na Rússia para que votassem.

Na sexta-feira à noite, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo pôs ontem em causa a legitimidade das eleições arménias, devido ao que considera ser uma perseguição política dos seus opositores por parte das autoridades.

Vários partidos da oposição arménia, que criticam o Governo pela aproximação à União Europeia (UE) e aos Estados Unidos, têm sido associados ao Kremlin.

A campanha eleitoral foi a mais polarizada dos últimos anos devido às pressões russas, que se opõem à adesão do país à UE, a qual, tal como os Estado Unidos, apoia a reeleição de Pashinian.

Na sexta-feira, a comissão eleitoral arménia rejeitou uma petição para impedir a Arménia Forte de participar nas eleições.

O presidente da Comissão Eleitoral Central da Arménia, Vahagn Hovakimyan, explicou que, após analisar os argumentos apresentados, não encontrou fundamentos legais para cancelar o registo eleitoral da coligação.

O anúncio surgiu após o Ministério Público ter pedido autorização à comissão eleitoral para iniciar processos criminais contra seis candidatos incluídos na lista do Arménia Forte.

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