Action Aid "muito preocupada" com impacto da abertura Cahora Bassa
Lisboa, 14 Jan (Lusa) - A agência humanitária ActionAid manifestou-se hoje "muito preocupada" com a possível abertura das comportas da barragem de Cahora Bassa, o que agravará as cheias no vale do Zambeze, onde estão em risco cerca de 200 mil pessoas.
"O governo declarou que pode ter de abrir as comportas da barragem de Cahora Bassa. Os níveis das águas deverão continuar a subir nos próximos dias, representando uma ameaça a milhares de pessoas. A Action Aid está muito preocupada com o impacto de libertar mais água nas zonas de cheia no Vale do Zambeze", afirmou hoje o director da organização não governamental(ONG) norte-americana em Moçambique, Alberto Silva.
A subida das águas na albufeira da barragem de Cahora Bassa, provocada por chuvas intensas em países vizinhos (Malaui, Zimbabué e Zâmbia) levou à abertura progressiva das comportas da hidroeléctrica, que debita já 8.000 metros cúbicos de água por segundo.
A subida das águas do rio Zambeze forçou ao encerramento do centro de realojamento de Mutarara, na província de Tete, cidade do centro de Moçambique atingida pelas cheias.
O porta-voz do Centro Nacional de Operações de Emergência (CENOE), Belarmino Chivambo, disse hoje à Agência Lusa que o nível das águas no vale do Zambeze "está a subir" e já obrigou transferência de centenas de moçambicanos para centros de desalojados.
A Action Aid estima que 60 mil pessoas foram afectadas pelas cheias no país, e que 200 mil pessoas estão em risco, enquanto o último balanço das autoridades moçambicanas refere as inundações provovaram três mortos, 57 mil desalojados e a destruição de 30 mil hectares de terrenos cultivados.
"Com o rio [Zambeze] pelo menos cinco metros acima do que é normal, aqueles que anteriormente estavam em segurança em zonas altas estão agora ameaçados", refere o comunicado hoje divulgado pela ONG.
A Cruz Vermelha Internacional afirmou hoje que o nível das águas nas zonas de cheia em Moçambique já supera o de 2000, o mais alto dos últimos anos, mas que um auxílio eficiente às populações permitiu até agora "evitar o desastre".
A Cruz Vermelha de Moçambique tem em Mutarara, 60 quilómetros a montante de Caia, uma equipa dotada de meios aquáticos que, até agora, socorreu perto de 200 pessoas.
Apesar de ter 400 homens no terreno e voluntários em número considerado "suficiente", a Cruz Vermelha queixa-se da falta de combustível e de motores fora-de-bordo e manifesta-se preocupada com as necessidades alimentares das populações afectadas.
Também a ActionAid se queixa de falta de recursos e afirma que está a prestar "especial atenção" a mulheres e crianças.
Além de coordenar operações de evacuação, a agência humanitária está a disponibilizar tendas, barcos, água potável, medicamentos, saneamento e plásticos para protecção das chuvas.
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