Advogados defesa negam existência de esquema compra votos no "mensalão"
No primeiro dia do julgamento do caso "mensalão", os advogados de defesa negaram a existência de um esquema de compra de votos no Congresso a favor de projectos do Governo federal, segundo o jornal Correio do Brasil.
O Supremo Tribunal Federal iniciou quarta-feira em Brasília a análise da possível abertura de um processo criminal contra as 40 pessoas denunciadas por envolvimento no escândalo "mensalão", mas recusou para já a pretensão dos advogados de defesa de analisar os casos individualmente.
Na primeira sessão, os advogados de defesa negaram a existência de qualquer fraude, enquanto o Procurador-Geral da República (PGR), António Fernando Souza, reafirmou as acusações aos 40 arguidos por formação de quadrilha, corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e peculato, acrescenta aquele diário na sua edição on-line.
Citado pela revista Veja, o PGR afirmou que os acusados tiveram uma conduta "típica do submundo do crime".
Por seu lado, os advogados de defesa classificaram de "sem fundamento, inepta, vaga, ficcional, imprestável e até um panfleto partidário" as acusações do PGR, acrescenta a revista.
Entretanto, o jornal Estado de São Paulo adianta hoje que a "tendência" dos juízes é de "instaurar processo" aos arguidos no caso "mensalão".
"O julgamento ao pedido de acção penal contra os 40 investigados no escândalo do mensalão apenas começou, mas já indica que o relator vai requerer e os outros nove ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) devem apoiar a abertura do processo", lê-se na edição on-line do jornal.
Depois de mais de sete horas de sessão, o STF suspendeu o primeiro dia de julgamento, alegando cansaço dos intervenientes.
O julgamento recomeça hoje às 10:00 locais (14:00 em Lisboa) com, pelo menos, a intervenção de mais 15 advogados de defesa.
Está previsto que a audiência decorra até quatro sessões, devendo terminar segunda-feira, o mais tardar.
Entre os 40 acusados estão importantes ex-governantes, como José Dirceu (Casa Civil), Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação) e Anderson Adauto (Transportes).
Incluem-se ainda deputados do Partido dos Trabalhadores (PT), como José Genoino e João Paulo Cunha e também ex-dirigentes, casos de Delúbio Soares (ex-tesoureiro) e Sílvio Pereira (ex-secretário-geral do partido).
A Procuradoria-Geral calcula que tenham sido desviados para os subornos perto de 55 milhões de reais (perto de 22 milhões de dólares, à altura dos acontecimentos).