África Austral confronta-se com desafios semelhantes aos dos primórdios da independência -- Joaquim Chissano
Luanda, 06 dez (Lusa) - A África Austral confronta-se atualmente com desafios iguais ou superiores aos que viveu aquando das independências, defendeu hoje em Luanda o antigo Presidente moçambicano Joaquim Chissano.
"Os desafios do presente são outros. Com Angola a presidir à Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, confrontamo-nos na nossa região com desafios de dimensão igual ou superior à emancipação política dos nossos povos, sob um ambiente internacional ameaçador, incerto e perigoso", disse Joaquim Chissano.
O antigo Presidente moçambicano intervinha na conferência de abertura do "1º Colóquio Internacional sobre a História do MPLA", partido no poder em Angola que celebra o 55º aniversário no próximo dia 10.
Na sua intervenção, Chissano historiou o papel dos partidos no poder em Angola e Moçambique, MPLA e FRELIMO, na libertação da África Austral, considerando que foi a conquista da independência destas duas antigas colónias portuguesas que "permitiu passar sucessivamente à independência do Zimbabué e da Namíbia e à erradicação do `apartheid` (regime de segregação racial)".
Agora, como no passado, e "mais do que nunca", a África Austral precisa de "cerrar fileiras" para preservar a independência e soberania "face às ameaças preocupantes".
O papel de Agostinho Neto, em Angola, e de Eduardo Mondlane, em Moçambique, foram destacados por Joaquim Chissano, que os caracterizou como "grandes obreiros" do movimento de libertação nacional nos dois países, e ainda como "expoentes da noção de unidade, condição de sucesso da luta independentista e da construção de um Estado-Nação moderno".
No retrato que apresentou de Neto e Mondlane, Chissano evocou traços comuns.
"Ambos são negros, originários de zonas rurais, de famílias religiosas, protestantes, tiraram cursos superiores ao nível de Doutoramento, casaram-se com mulheres de raça branca, nunca esqueceram as suas origens e culturas a que continuaram a dar o devido valor", evocou.
O colóquio internacional sobre a história do MPLA decorre até quinta-feira, e reúne antigos combatentes, políticos, jovens, intelectuais e estudiosos, com o objetivo de enaltecer o trajeto histórico do partido angolano.
Além de Joaquim Chissano, o outro convidado estrangeiro na sessão de hoje foi Jorge Risquet, membro do Comité Central do Partido Comunista Cubano, que abordou o contributo do seu país para a independência de Angola e preservação da soberania do Estado angolano.