África do Sul tenta conter rutura em barragem mas diz que não afeta Moçambique
As autoridades sul-africanas disseram hoje à Lusa que estão a tentar conter a eventual rutura na barragem de Senteeko, mas garantem que, nesse cenário, os países vizinhos, nomeadamente Moçambique, que enfrenta cheias generalizadas, não serão afetados.
Contactada pela Lusa, a porta-voz do Departamento de Água e Saneamento (DWS) do Governo da África do Sul, Wisane Mavasa, explicou que a situação naquela barragem, cuja água tem como foz natural Moçambique, "permanece inalterada", tendo sido mobilizados meios, esta manhã, para ampliar o canal de descarga de emergência, "reduzindo ainda mais o nível da água na barragem".
A barragem de Senteeko, no distrito de Mbombela, na vizinha África do Sul, com capacidade até 1,8 milhões de metros cúbicos, instalada no rio Crocodilo, é afluente do Incomati, que desagua em Maputo, sul de Moçambique.
"Vale ressaltar também que, em caso de rompimento da barragem, nem a República de Moçambique nem o reino de Essuatíni serão afetados, visto que a distância entre o vertedouro da barragem e a fronteira mais próxima é superior a 160 km (ou seja, o trajeto da inundação)", explicou Wisane Mavasa.
Por precaução, as autoridades moçambicanas ordenaram na sexta-feira a retirada imediata da população em zonas de risco face ao alerta de rutura da barragem sul-africana de Senteeko, podendo afetar mais de 40 mil pessoas e infraestruturas sociais.
Segundo um comunicado do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos (DNGRH) recebeu informação da sua contraparte sul-africana, ao fim da tarde de sexta-feira, indicando o agravamento da erosão na barragem de Senteeko estando na iminência de colapsar a qualquer momento.
"Para mitigar o impacto, serão tomadas as seguintes medidas: retirada imediata das famílias nas zonas de risco para os centros de acomodação e redução das descargas na barragem de Corumana, para mitigar o impacto do caudal adicional", lê-se no documento.
A DNGRH explica que a barragem flui para Moçambique, a partir da fronteira de Ressano Garcia, podendo transportar caudais que podem agravar as inundações que já se registam no Baixo Incomáti, com impactos sobre os assentamentos humanos em Xinavane, Ilha Josina Machael, Zonas Baixas de Maomba, Magude, Manhiça e Marracuene, afetando mais de 40 mil pessoas e infraestruturas sociais.
De acordo com a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos de Moçambique, em caso de rutura, estima-se que a onda de caudal gerada pela descarga resultante do colapso poderá levar de três a cinco dias para atingir o território nacional.
"Importa referir que as equipas técnicas da DNGRH e ARA-Sul estão a monitorar a situação, podendo informar oportunamente se a estrada Nacional N1 poderá voltar ou não a estar afetada", acrescenta.