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África sofreu seis choques externos em 10 anos e multilateralismo é a solução - ministros

África sofreu seis choques externos em 10 anos e multilateralismo é a solução - ministros

Os ministros africanos das Finanças defenderam hoje, num encontro no âmbito dos Encontros da Primavera do Fundo Monetário Internacional (FMI), que o multilateralismo é a solução para os "seis choques externos nos últimos 10 anos".

Lusa /
Elizabeth Frantz - reuters

"Durante os últimos dez anos, enfrentámos seis choques externos, e ainda no ano passado estávamos aqui a debater a crise das tarifas alfandegárias, e hoje debatemos a crise no Médio Oriente", disse o ministro das Finanças da República Centro-Africana, apontando que, "desde o início do conflito no Médio Oriente, os preços aumentaram 41%, o custo do transporte marítimo subiu 21% e o prémio de risco sobre a segurança marítima subiu nove vezes, num contexto em que houve 31 moedas que se depreciaram".

A crise no Médio Oriente e os efeitos em África ocuparam boa parte do debate que decorreu esta tarde na sede do FMI, em Washington, onde decorrem os Encontros da Primavera, organizados em conjunto com o Banco Mundial.

A RCA exporta 67% da produção para os Emirados Árabes Unidos e enfrenta, por isso, "um cenário muito desafiante", tentando equilibrar as pressões com reformas financeiras e económicas.

"O que estamos a fazer é consolidar o espaço orçamental e trabalhar numa lei que vai acabar com os subsídios e as isenções fiscais, e estamos a trabalhar muito na questão da sustentabilidade da dívida", disse o governante, desafiando o FMI a "envolver-se mais nas questões sobre a resposta que deve ser dada a esta questão da dívida pública" e dos efeitos na governação económica.

Na mesma linha, a governadora do banco central do Lesoto, Retselisitsoe Adelaide Matlanyane, afirmou: "As crises sobrepõem-se e mal temos tempo para respirar, trazem disrupções e em cima disso ainda sofremos com os choques climáticos, por isso temos de repensar a política económica, o multilateralismo é a chave para ultrapassarmos os desafios".

Devido à incerteza dos acontecimentos, o FMI criou dois cenários, um que é o de referência, e no qual se prevê um aperto nas condições de financiamento durante o resto do ano e um crescimento médio de 4,3%, e um outro, mais grave, que parte do princípio que o conflito no Médio Oriente se prolonga até 2027.

"No cenário mais severo, os preços do petróleo mantêm-se elevados em 2026 e 2027 e as restrições no financiamento permanecem até ao próximo ano, o que nos leva a prever que, nesse contexto, a África subsaariana cresceria apenas 0,6% e a inflação subiria 2,4%", disse o responsável.

Para além das medidas imediatas, como a construção de resiliência e o apoio direto às famílias mais vulneráveis, o Fundo defende também reformas estruturais que apoiem a estabilidade macroeconómica, políticas orçamentais e monetárias prudentes.

O FMI recomenda ainda mais integração regional e implementação do Acordo de Comércio Livre (AfCFTA, na sigla em inglês), para além de um aprofundamento da digitalização e do aprofundamento dos mercados financeiros domésticos.

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