Agência para o Ambiente quer mais equilíbrio entre proteínas animais e vegetais

Agência para o Ambiente quer mais equilíbrio entre proteínas animais e vegetais

A Agência Europeia do Ambiente (AEA) recomendou hoje a redução da produção de proteínas animais e aumento das vegetais, uma opção que favorece o ambiente porque emite muito mesmos gases com efeitos de estufa.

Lusa /

De acordo com o relatório Diversificação de proteínas --- riscos estratégicos e oportunidades para sistemas alimentares sustentáveis, hoje divulgado, "o atual sistema de proteínas da Europa está associado a pressões ambientais significativas".

Segundo dados da AEA, a produção pecuária representa mais de 65% das emissões de gases com efeito de estufa provenientes da agricultura na União Europeia (UE), sendo que as pastagens e a produção de alimentos para animais ocupam, juntas, mais de metade da superfície agrícola útil.

Por outro lado, o azoto associado à pecuária e à utilização de fertilizantes contribui para a poluição da água e para a eutrofização, tendo a agricultura sido responsável por cerca de 94% das emissões de amoníaco da UE em 2023 --- uma das principais fontes de poluição atmosférica por partículas finas.

A diversificação também abre oportunidades económicas, uma vez que, segundo a agência, o consumo global de proteínas alternativas poderá aumentar mais de sete vezes até 2035, enquanto se prevê que o mercado das proteínas de origem vegetal, por si só, cresça de cerca de 24 mil milhões de dólares em 2025 para 35 mil milhões de dólares até 2030.

O relatório aponta que a produção de um quilo de carne de bovino consumo emite quase 100 quilos de dióxido de carbono (CO2)e a de ovinos quase 40 quilos de CO2, quando, no extremo oposto, produzir um quilo de ervilhas ou de soja emite um quilo de CO2, em média (dados de 2023).

O documento estabelece três prioridades: salvaguardar a integridade ambiental e garantir resultados de sustentabilidade; reforçar a resiliência e a autonomia estratégica através da redução da dependência de alimentos importados para animais, mantendo simultaneamente relações comerciais diversificadas; e apoiar uma transição justa que proteja a acessibilidade económica, a coesão regional e os meios de subsistência rurais.

As tensões geopolíticas dos últimos anos, que fizeram aumentar repetidamente os preços da energia e dos fertilizantes e perturbaram as cadeias de abastecimento, evidenciaram as vulnerabilidades associadas a estas dependências e a importância de reforçar a resiliência dos sistemas alimentares europeus.

O relatório lembra que a UE importa quase dois terços dos alimentos de elevado teor proteico utilizados na produção pecuária, estando o abastecimento concentrado em poucos países, principalmente no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos.

Em relação às possíveis alternativas às proteínas de animais, a produção à base de plantas, como as leguminosas, é a que está mais desenvolvida na UE e é considerada competitiva.

PUB