Mundo
Al Qaeda renega uma das suas afiliadas que combate na Síria
O comando geral da Al-Qaeda renegou publicamente todos os laços com o Estado Islâmico do Iraque e Levante que combate na Síria. Em comunicado, a organização liderada por Ayman al-Zawahiri negou que esta fação seja sua afiliada e culpou-a pelo “desastre” que atinge o movimento islamita na Síria. O grupo em causa tem vindo a travar combates com outras fações islamitas que combatem Bashar Al-Assad e ganhou a reputação de cometer abusos nas partes da Síria que controla, nomeadamente, execuções sumárias e massacres.
A declaração, colocada domingo à noite em fóruns islamitas da internet, segue-se a mais de um mês de combates fratricidas entre o Estado Islâmico do Iraque e Levante [EIIL] e outros grupos islamitas no norte e leste da Síria.
“A Al-Qaeda anuncia que não está ligada ao Estado Islâmico do Iraque e Levante, já que não foi informada da sua criação e não a aceitou”, lê-se no comunicado, atribuído ao Comando Geral da Al-Qaeda.
A nota prossegue afirmando que o EIIL “não é um ramo da Al-Qaeda, não tem ligações com ela e que [a Al Qaeda] não é responsável pelos seus atos”.
“Manifestamos a nossa desaprovação relativamente à sedição que está a correr na Síria, entre fações de Jihadistas, e ao sangue que foi derramado por qualquer das partes”, prossegue o comunicado, que acusa o Estado Islâmico do Iraque e Levante pela “enormidade do desastre que afeta a Jihad na Siria”.

Combates fratricidas
O Observatório Sírio dos Direitos Humanos documentou a morte de 1.747 pessoas só nos últimos quatro meses, mas esta organização não-governamental ligada à oposição síria suspeita que o balanço destes combates seja muito superior.
De acordo com o Observatório, o EIIL tem vindo a tomar como alvo nos últimos dias figuras de topo dos outros grupos anti-Assad.
Domingo, dois destacados lideres rebeldes foram mortos perto de Aleppo, juntamente com outras 14 pessoas, quando um membro do Estado Islâmico do Iraque e Levante, que supostamente estava negociar uma trégua, se fez explodir junto a eles. No dia anterior, perto de Hama, combatentes do mesmo grupo assassinaram Abu Hussein al Dik, um dos principais comandantes das poderosas brigadas Suqor al Sham.
Os observadores dizem que esta luta fratricida tem vindo a servir os objetivos de Bashar al-Assad, distraindo os grupos islamitas da sua campanha contra o exército sírio. Algumas vozes sugerem mesmo que a EIIL, foi infiltrada ao mais alto nível por elementos da Mukabharat, a
polícia secreta de Assad.

Uma dessas vozes é a do Sheik Adnan Al Arour, um clérigo influente entre os jihadistas sírios.
“Não estamos a acusar todos os elementos do EIIL de serem agentes, mas não há dúvidas que a maioria dos vossos comandantes o são”,
disse.
Nas últimas semanas a EIIL consolidou o seu domínio sobre as cidades de Raqa e Azaz. Como primeiras medidas administrativas, o grupo decretou que as mulheres sejam obrigadas a usar o niqab (véu integral islâmico) em público e proibiu a música e a venda de cigarros e cachimbos de água, decretando ainda a obrigatoriedade de assistir aos serviços religiosos de sexta-feira.
Alguns observadores aconselham cautela na interpretação do comunicado de domingo, pois não há a certeza de que o mesmo tenha sido aprovado pelas chefias políticas da Al-Qaeda. Dizem que as declarações mais “oficiais” e sensíveis costumam ser distribuídas pela As Shaab,
o setor de média e comunicação da organização.

Al-Qaeda desafiada
No entanto, o texto parece vir na mesma linha de um anterior comunicado em que o chefe da Al Qaeda fustigava sem ambiguidades a EIIL.
O antagonismo entre a Al Qaeda e o Estado Islâmico do Iraque e Levante remonta pelo menos a abril do ano passado, quando o líder do EIIL, Abu Bakr al Baghdadi , anunciou subitamente a expansão do Iraque para a Síria e declarou que iria absorver a Frente al-Nusra, outra afiliada da Al Qaeda, que na altura era uma das forças mais eficazes nos combates contra o exército de Damasco.
Tanto a Frente al-Nusra como Ayman al-Zawahiri rejeitaram de imediato esta tentativa de “aquisição hostil” : O líder da al-Nusra disse simplesmente que “a bandeira da frente permaneceria como está sem mudar nada”. Por seu lado, uma carta de Zawahiri veio reafirmar em junho que “a Frente al-Nusra é um ramo independente da Al Qaeda, que obedece ao Comando Geral da Al Qaeda”.
O antigo número dois de Bin Laden ordenou então ao Estado Islâmico do Iraque e Levante que desmobilizasse e regressasse ao Iraque, mas o EIIL negou-se a cumprir a ordem, no que representa um raro caso de desafio para com a liderança global da organização fundada por Osama Bin Laden.

A recusa de al-Baghdadi
Uma mensagem de áudio atribuída a Al-Baghdadi dizia: “Não entramos em compromissos e não desistiremos”.
Apesar de o EIIL e a Frente al-Nusra terem mantido alguma cooperação a nível local, as tensões entre os dois grupos e o desacordo sobre métodos e objetivos não cessaram de aumentar.
Outras fações islamitas acusam o EIIL de estar mais interessado em fundar o seu próprio emirado no norte do Iraque do que em derrubar Assad. Esse mal-estar foi também ecoado numa declaração do comando geral da Al Qaeda :
“Não costumamos apressar-nos a anunciar Emirados e Estados, acerca dos quais os estudiosos dos Mujaheedin e dos muçulmanos não foram consultados”.
No mês passado, Zawahiri renovou numa mensagem áudio o seu apelo à unidade entre os grupos jiadistas: "Os nossos corações estão a sangrar, o coração da nossa nação islâmica está a sangrar quando assistimos à luta fratricida entre os mujahidin da Síria”.
A esta mensagem, o líder da EIIL respondeu prometendo que os seus combatentes “se defenderão de quaisquer ataques “ e pedindo aos elementos dos outros grupos rebeldes no Iraque e na Síria que “se arrependam ou sofram as consequências”.
“A Al-Qaeda anuncia que não está ligada ao Estado Islâmico do Iraque e Levante, já que não foi informada da sua criação e não a aceitou”, lê-se no comunicado, atribuído ao Comando Geral da Al-Qaeda.
A nota prossegue afirmando que o EIIL “não é um ramo da Al-Qaeda, não tem ligações com ela e que [a Al Qaeda] não é responsável pelos seus atos”.
“Manifestamos a nossa desaprovação relativamente à sedição que está a correr na Síria, entre fações de Jihadistas, e ao sangue que foi derramado por qualquer das partes”, prossegue o comunicado, que acusa o Estado Islâmico do Iraque e Levante pela “enormidade do desastre que afeta a Jihad na Siria”.
Combates fratricidas
O Observatório Sírio dos Direitos Humanos documentou a morte de 1.747 pessoas só nos últimos quatro meses, mas esta organização não-governamental ligada à oposição síria suspeita que o balanço destes combates seja muito superior.
De acordo com o Observatório, o EIIL tem vindo a tomar como alvo nos últimos dias figuras de topo dos outros grupos anti-Assad.
Domingo, dois destacados lideres rebeldes foram mortos perto de Aleppo, juntamente com outras 14 pessoas, quando um membro do Estado Islâmico do Iraque e Levante, que supostamente estava negociar uma trégua, se fez explodir junto a eles. No dia anterior, perto de Hama, combatentes do mesmo grupo assassinaram Abu Hussein al Dik, um dos principais comandantes das poderosas brigadas Suqor al Sham.
Os observadores dizem que esta luta fratricida tem vindo a servir os objetivos de Bashar al-Assad, distraindo os grupos islamitas da sua campanha contra o exército sírio. Algumas vozes sugerem mesmo que a EIIL, foi infiltrada ao mais alto nível por elementos da Mukabharat, a
polícia secreta de Assad.
Uma dessas vozes é a do Sheik Adnan Al Arour, um clérigo influente entre os jihadistas sírios.
“Não estamos a acusar todos os elementos do EIIL de serem agentes, mas não há dúvidas que a maioria dos vossos comandantes o são”,
disse.
Nas últimas semanas a EIIL consolidou o seu domínio sobre as cidades de Raqa e Azaz. Como primeiras medidas administrativas, o grupo decretou que as mulheres sejam obrigadas a usar o niqab (véu integral islâmico) em público e proibiu a música e a venda de cigarros e cachimbos de água, decretando ainda a obrigatoriedade de assistir aos serviços religiosos de sexta-feira.
Alguns observadores aconselham cautela na interpretação do comunicado de domingo, pois não há a certeza de que o mesmo tenha sido aprovado pelas chefias políticas da Al-Qaeda. Dizem que as declarações mais “oficiais” e sensíveis costumam ser distribuídas pela As Shaab,
o setor de média e comunicação da organização.
Al-Qaeda desafiada
No entanto, o texto parece vir na mesma linha de um anterior comunicado em que o chefe da Al Qaeda fustigava sem ambiguidades a EIIL.
O antagonismo entre a Al Qaeda e o Estado Islâmico do Iraque e Levante remonta pelo menos a abril do ano passado, quando o líder do EIIL, Abu Bakr al Baghdadi , anunciou subitamente a expansão do Iraque para a Síria e declarou que iria absorver a Frente al-Nusra, outra afiliada da Al Qaeda, que na altura era uma das forças mais eficazes nos combates contra o exército de Damasco.
Tanto a Frente al-Nusra como Ayman al-Zawahiri rejeitaram de imediato esta tentativa de “aquisição hostil” : O líder da al-Nusra disse simplesmente que “a bandeira da frente permaneceria como está sem mudar nada”. Por seu lado, uma carta de Zawahiri veio reafirmar em junho que “a Frente al-Nusra é um ramo independente da Al Qaeda, que obedece ao Comando Geral da Al Qaeda”.
O antigo número dois de Bin Laden ordenou então ao Estado Islâmico do Iraque e Levante que desmobilizasse e regressasse ao Iraque, mas o EIIL negou-se a cumprir a ordem, no que representa um raro caso de desafio para com a liderança global da organização fundada por Osama Bin Laden.
A recusa de al-Baghdadi
Uma mensagem de áudio atribuída a Al-Baghdadi dizia: “Não entramos em compromissos e não desistiremos”.
Apesar de o EIIL e a Frente al-Nusra terem mantido alguma cooperação a nível local, as tensões entre os dois grupos e o desacordo sobre métodos e objetivos não cessaram de aumentar.
Outras fações islamitas acusam o EIIL de estar mais interessado em fundar o seu próprio emirado no norte do Iraque do que em derrubar Assad. Esse mal-estar foi também ecoado numa declaração do comando geral da Al Qaeda :
“Não costumamos apressar-nos a anunciar Emirados e Estados, acerca dos quais os estudiosos dos Mujaheedin e dos muçulmanos não foram consultados”.
No mês passado, Zawahiri renovou numa mensagem áudio o seu apelo à unidade entre os grupos jiadistas: "Os nossos corações estão a sangrar, o coração da nossa nação islâmica está a sangrar quando assistimos à luta fratricida entre os mujahidin da Síria”.
A esta mensagem, o líder da EIIL respondeu prometendo que os seus combatentes “se defenderão de quaisquer ataques “ e pedindo aos elementos dos outros grupos rebeldes no Iraque e na Síria que “se arrependam ou sofram as consequências”.