Aldeia chinesa enriquece com "boom" da indústria de barrigas de aluguer no país
Pequim, 22 jun (Lusa) - A indústria de "barrigas de aluguer" é desde há uma década uma importante fonte de receitas para a aldeia chinesa de Qili, na província de Hubei, apesar de a gestação de substituição estar proibida no país.
Em Qili, um casal infértil pode alugar um ventre por preços que variam entre 150.000 e 250.000 yuan (entre 19 mil e 33 mil euros), um valor quinze vezes superior ao rendimento médio anual no interior de Hubei - 11.844 yuan (1.550 euros)-, segundo uma reportagem difundida pela estação de televisão Shandong TV.
A indústria floresce na aldeia desde há uma década, apesar de ser ilegal na China.
Penas leves, altos lucros e um aumento da taxa de infertilidade no país - de três porcento, há 20 anos, para quase 15%, atualmente - têm levado ao `boom` no uso de barrigas de aluguer, indica a reportagem.
No Baidu, o principal motor de busca chinês, uma pesquisa pelas palavras-chave "barriga de aluguer" permite encontrar centenas de agências.
Muitas mulheres estão dispostas a correr riscos, alugando o ventre em idades já avançadas ou acedendo a engravidar logo após dar à luz.
Num caso, uma família foi indemnizada em "dezenas de milhares de yuan", depois de a sua filha ter morrido durante a gravidez.
A indústria gera também abusos contra as mulheres de Qili, que são enviadas para Wuhan, a capital de Hubei, ou para a província de Cantão ou Xangai, onde ficam trancadas em casas disponibilizadas pelos intermediários, até que o bebé nasça.
Em fevereiro passado, o porta-voz da Comissão Nacional da Saúde e Planeamento Familiar da China, Mao Qunan, afirmou que a gestação de substituição é um "tema complexo", que envolve questões legais, éticas e sociais, e que a comissão continuará a punir.
Apesar de a China ter já mais residentes em áreas urbanas do que rurais, a família continua a ser fundamental na sociedade chinesa, com o casamento e ter filhos a constituírem quase um dever.