Ali Agca regressou à prisão em Istambul
Mehmet Ali Agca, o turco que tentou matar o Papa João Paulo II, voltou hoje a ser encarcerado na prisão de Kartal, em Istambul, de onde tinha sido libertado a semana passada, noticiaram os "media".
Agaca fora detido à tarde pela Polícia turca, pouco depois de Supremo Tribunal de Justiça anular a decisão tomada no passado dia 12 por um tribunal de Istambul de o libertar, informaram as fontes.
O Supremo considerou por unanimidade que a libertação de Agca nunca devia ter ocorrido, precisou a Agência noticiosa Anatólia.
Escoltado por numerosos policiais, Agca foi conduzido numa viatura da polícia para a penitenciária que se encontra na parte asiática da metrópole turca, segunda a cadeia de televisão CNN-Turk.
Antes de chegar ao estabelecimento prisional, de onde saiu em liberdade a 12 de Janeiro, graças a uma amnistia decretada em 2002 que contemplou a redução de penas de reclusos condenados até Abril de 1981, Agca foi interrogado na sede a polícia e submetido a um controlo médico, precisou a televisão.
A decisão hoje tomada pelo Supremo Tribunal é inapelável, pelo que Agca, condenado à revelia na Turquia a 36 anos de prisão por dois assaltos a bancos em 1970 e pelo assassínio do jornalista Abdi Ipelçi em 1979, depois de já ter cumprido seis anos da pena, poderá ficar em Kartal durante as próximas três décadas.
Entre 1981 e 2000 Agca esteve preso em Itália, ano em que foi extraditado para a Turquia.
O Vaticano não quis fazer "qualquer comentário" à decisão judicial turca de mandar Agca de volta à prisão.
"Não há qualquer comentário a fazer", disse o porta-voz do Vaticano, Joaquín Navarro Valls, citado pela agência noticiosa italiana Ansa.
"Face a um problema de natureza judicial, a Santa Sé remete a decisão para os tribunais competentes", acrescentou.
A saída de Agca no dia 12 deveu-se alegadamente a um "erro" na interpretação da lei de amnistia de 2002.