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Almeida Santos destaca papel de Holden Roberto na luta armada pela independência

Almeida Santos destaca papel de Holden Roberto na luta armada pela independência

O socialista Almeida Santos lamentou a morte do líder histórico da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), Holden Roberto, e destacou o papel que desempenhou pela independência daquele país.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Almeida Santos foi um dos subscritores, juntamente com Mário Soares e Melo Antunes, do Acordo do Alvor, assinado em Janeiro de 1975 naquela localidade algarvia com os líderes dos três movimentos de libertação angolanos: Agostinho Neto (MPLA), Holden Roberto(FNLA) e Jonas Savimbi (UNITA).

O acordo do Alvor, que formalizou o processo de reconhecimento da independência de Angola por Portugal, a 11 de Novembro de 1975, fracassou face ao início da guerra civil em Angola.

Nas declarações à Agência Lusa, Almeida Santos recordou os dois encontros que manteve com Holden Roberto, que considerou uma pessoa "amável e simpática".

O primeiro encontro aconteceu no Alvor quando se discutia o acordo e o segundo, foi também em 1975, em Kinshasa, a bordo do iate do então presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko.

"Dos encontros que mantive com Holden Roberto não tenho más recordações. Tivemos uma conversa correcta e simpática", adiantou.

Almeida Santos, ministro da Coordenação Interterritoral de então, adiantou que o líder histórico da FNLA, que morreu quinta-feira à noite em Luanda, aos 84 anos, "não era mal intencionado em relação a Angola", mas acabou por ser "apagado politicamente" quando deixou de ter o apoio dos Estados Unidos.

"A partir da independência de Angola, Holden Roberto não teve o papel de destaque que tinha tido até então", salientou.

O ex-presidente da Assembleia da República portuguesa disse ainda que as ligações familiares que Holden Roberto mantinha com Mobutu Sese Seko (eram cunhados) "davam-lhe algum poder".

Por sua vez, o general Pezarat Correia, ex-membro do Conselho da Revolução, disse à Lusa que Holden Roberto "teve uma vida bastante preenchida" e "foi um homem com uma posição sempre controversa".

"Foi um dos dirigentes que lutou pela independência de Angola, mas o seu papel nem sempre foi conduzido da forma mais positiva", considerou.

O general Pezarat Correira destacou ainda que Holden Roberto "esteve inteiramente associado aos massacres do norte de Angola em 1961", atribuídos à UPA.

Nascido a 12 de Janeiro de 1923, Holden Roberto iniciou a actividade política em 1954 com a fundação da União dos Povos do Norte de Angola (UPNA), dois anos mais tarde designada UPA.

Em 1960, assinou um acordo com o MPLA que não iria cumprir, para assumir sozinho a liderança na luta contra o colonialismo português.

Em 1962 criou a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), da qual se tornou presidente. Seria esta organização que viria a constituir o Governo Revolucionário de Angola no Exílio (GRAE), onde Jonas Savimbi surge como ministro dos Negócios Estrangeiros.

Depois da independência e com o início da guerra civil em Angola, Holden Roberto deixou o país onde só regressou em Agosto de 1991, após a assinatura, em Lisboa, a 31 de Maio, do Acordo de Paz de Bicesse.

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