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Altos níveis de químicos tóxicos encontrados na costa do sul de Inglaterra
Estudo do Canal da Mancha revela níveis de PFAs tóxicos no Estreito de Solent 13 vezes superiores aos limites de segurança em alguns locais, sendo que grande parte é proveniente de esgotos tratados.
Os cientistas encontraram níveis elevados de PFAs tóxicos, ou “químicos eternos”, no solo, na água e em toda a cadeia alimentar marinha no Estreito de Solent, no Reino Unido, incluindo em áreas de proteção ambiental, de acordo com um novo estudo.
Em algumas amostras, a poluição atingiu níveis 13 vezes superiores ao limite de segurança para as águas costeiras. Outras, que estavam abaixo dos limites legais para substâncias químicas individuais, não passaram nos testes de toxicidade combinada. As amostras foram recolhidas no Estreito de Solent, que se estende entre a Ilha de Wight e o continente, fazendo parte do Canal da Mancha.
Os investigadores afirmaram que as suas conclusões realçam a necessidade de monitorizar os produtos químicos em conjunto e de incluir uma proibição total dos PFA na agenda de reforma da água do governo.
“Se houvesse um derrame de petróleo no Solent, a indústria teria de suportar os custos da restauração destes habitats, mas isso não acontece com o esgoto”, afirmou Alex Ford, biólogo da Universidade de Portsmouth e um dos autores do estudo, ao jornal britânico Guardian,
“Esta é uma questão que não atribuo necessariamente às empresas de água, porque não têm capacidade para tratar estes compostos. É por isso que o despejo destes compostos deveria ser proibido na fonte”, sublinhou.
Já Alex Ford, biólogo da Universidade de Portsmouth e outro dos autores do estudo, afirmou que, “se houvesse um derrame de petróleo no Solent, a indústria teria de suportar os custos da restauração destes habitats, mas isso não acontece com o esgoto.”O que são os PFAS?
As substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS) são uma família de produtos químicos utilizados pela sua durabilidade em diversas indústrias e produtos domésticos, incluindo panelas antiaderentes, embalagens para alimentos e vestuário impermeável.
São frequentemente chamadas de "químicos eternos" porque não se decompõem facilmente e têm sido associadas a uma série de doenças em humanos e animais selvagens pelos cientistas.
Os investigadores analisaram dados governamentais, testes realizados em estações de tratamento de águas e as suas próprias amostras de uma dúzia de espécies de peixes, algas marinhas e invertebrados.
Descobriram que as PFAS estavam a chegar ao Estreito de Solent através do efluente tratado das estações de tratamento de esgotos em Portsmouth e Fareham, operadas pela Southern Water, a empresa que fornece água potável e serviços de esgotos a Kent, Sussex, Hampshire e à Ilha de Wight.
O estudo mapeou também 194 pontos de descarga de esgotos combinados e mais de 500 aterros sanitários históricos nas proximidades, que os investigadores acreditam que também podem contribuir para a poluição.
Algumas das amostras recolhidas da vida marinha continham substâncias químicas individuais acima dos limites legais de segurança existentes, incluindo no fígado de golfinhos. Mais amostras falharam um teste mais recente da União Europeia para toxicidade combinada, que avalia a potência relativa dos PFAs combinados.
Todas as águas superficiais inglesas testadas, com exceção de sete, falharam o teste combinado, assim como vários lagos e riachos remotos na Escócia.
"Não creio que a nossa situação seja específica do Solent", frisou Alex Ford. "Penso que veríamos um padrão em todo o Reino Unido".
Um porta-voz da Southern Water concordou com a necessidade de nova legislação "para restringir ou proibir certos produtos químicos".
"Lidar com a presença destes produtos químicos é um desafio para toda a sociedade", afirmou. "A solução mais sustentável é atacar o problema na origem... e manter [os produtos químicos] fora dos canos e do ambiente desde o início."
Apesar da persistência dos PFAs no ambiente, as evidências mostram que restringir a sua utilização pode ser eficaz.
A União Europeia caminha para uma proibição total dos PFA, provavelmente com algumas exceções para medicamentos e outros usos críticos.
O governo britânico afirmou que irá consultar a população sobre o estabelecimento de limites para estes produtos químicos e realizar mais testes quando o seu próprio plano para os PFA for publicado em fevereiro, prometendo uma “estrutura… para compreender a origem destes produtos químicos, como se propagam e como reduzir a exposição pública e ambiental”.
No entanto, a Sociedade de Conservação Marinha (Marine Conservation Society), que financiou o estudo em Solent, declarou: “Precisamos de ir mais além e mais depressa”.
“Não basta ter um plano”, disse Calum Duncan, chefe de políticas da organização ambientalista. “Precisamos urgentemente de ação e temos esta oportunidade única, com o processo de reforma da água, para agir e fazê-lo.”
Em algumas amostras, a poluição atingiu níveis 13 vezes superiores ao limite de segurança para as águas costeiras. Outras, que estavam abaixo dos limites legais para substâncias químicas individuais, não passaram nos testes de toxicidade combinada. As amostras foram recolhidas no Estreito de Solent, que se estende entre a Ilha de Wight e o continente, fazendo parte do Canal da Mancha.
Acredita-se que os produtos químicos tenham chegado ao ambiente através de estações de tratamento de esgotos, efluentes de esgotos, antigos aterros sanitários e instalações militares próximas.
Os investigadores afirmaram que as suas conclusões realçam a necessidade de monitorizar os produtos químicos em conjunto e de incluir uma proibição total dos PFA na agenda de reforma da água do governo.
“Se houvesse um derrame de petróleo no Solent, a indústria teria de suportar os custos da restauração destes habitats, mas isso não acontece com o esgoto”, afirmou Alex Ford, biólogo da Universidade de Portsmouth e um dos autores do estudo, ao jornal britânico Guardian,
“Esta é uma questão que não atribuo necessariamente às empresas de água, porque não têm capacidade para tratar estes compostos. É por isso que o despejo destes compostos deveria ser proibido na fonte”, sublinhou.
Já Alex Ford, biólogo da Universidade de Portsmouth e outro dos autores do estudo, afirmou que, “se houvesse um derrame de petróleo no Solent, a indústria teria de suportar os custos da restauração destes habitats, mas isso não acontece com o esgoto.”O que são os PFAS?
As substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS) são uma família de produtos químicos utilizados pela sua durabilidade em diversas indústrias e produtos domésticos, incluindo panelas antiaderentes, embalagens para alimentos e vestuário impermeável.
São frequentemente chamadas de "químicos eternos" porque não se decompõem facilmente e têm sido associadas a uma série de doenças em humanos e animais selvagens pelos cientistas.
Os investigadores analisaram dados governamentais, testes realizados em estações de tratamento de águas e as suas próprias amostras de uma dúzia de espécies de peixes, algas marinhas e invertebrados.
Descobriram que as PFAS estavam a chegar ao Estreito de Solent através do efluente tratado das estações de tratamento de esgotos em Portsmouth e Fareham, operadas pela Southern Water, a empresa que fornece água potável e serviços de esgotos a Kent, Sussex, Hampshire e à Ilha de Wight.
O estudo mapeou também 194 pontos de descarga de esgotos combinados e mais de 500 aterros sanitários históricos nas proximidades, que os investigadores acreditam que também podem contribuir para a poluição.
Algumas das amostras recolhidas da vida marinha continham substâncias químicas individuais acima dos limites legais de segurança existentes, incluindo no fígado de golfinhos. Mais amostras falharam um teste mais recente da União Europeia para toxicidade combinada, que avalia a potência relativa dos PFAs combinados.
Todas as águas superficiais inglesas testadas, com exceção de sete, falharam o teste combinado, assim como vários lagos e riachos remotos na Escócia.
"Não creio que a nossa situação seja específica do Solent", frisou Alex Ford. "Penso que veríamos um padrão em todo o Reino Unido".
Um porta-voz da Southern Water concordou com a necessidade de nova legislação "para restringir ou proibir certos produtos químicos".
"Lidar com a presença destes produtos químicos é um desafio para toda a sociedade", afirmou. "A solução mais sustentável é atacar o problema na origem... e manter [os produtos químicos] fora dos canos e do ambiente desde o início."
Apesar da persistência dos PFAs no ambiente, as evidências mostram que restringir a sua utilização pode ser eficaz.
A União Europeia caminha para uma proibição total dos PFA, provavelmente com algumas exceções para medicamentos e outros usos críticos.
O governo britânico afirmou que irá consultar a população sobre o estabelecimento de limites para estes produtos químicos e realizar mais testes quando o seu próprio plano para os PFA for publicado em fevereiro, prometendo uma “estrutura… para compreender a origem destes produtos químicos, como se propagam e como reduzir a exposição pública e ambiental”.
No entanto, a Sociedade de Conservação Marinha (Marine Conservation Society), que financiou o estudo em Solent, declarou: “Precisamos de ir mais além e mais depressa”.
“Não basta ter um plano”, disse Calum Duncan, chefe de políticas da organização ambientalista. “Precisamos urgentemente de ação e temos esta oportunidade única, com o processo de reforma da água, para agir e fazê-lo.”