Amnistia Internacional: Conflitos armados em África continuaram sem abrandar em 2025

Amnistia Internacional: Conflitos armados em África continuaram sem abrandar em 2025

A Amnistia Internacional defendeu hoje num relatório que os principais conflitos armados em África, como o sudanês e congolês, continuaram sem abrandar e os esforços diplomáticos para lhes pôr fim falharam em proteger civis ou responsabilizar os autores.

Lusa /

 No relatório da Amnistia Internacional "A Situação dos Direitos Humanos no Mundo", hoje publicado, em que a organização analisou 144 países, destaca-se também que, de forma geral, "atores externos continuaram a alimentar os conflitos [africanos], incluindo através do fornecimento de munições e armas às partes envolvidas".

Por sua vez, o objetivo da União Africana (UA) de 2014 de "eliminar a fome e a insegurança alimentar até 2025" não foi alcançado, frisou.

Choques climáticos, económicos e relacionados com conflitos agravaram a crise na região. Em julho, mais de 307 milhões de pessoas, mais de 20% da população da região, eram afetadas pela fome, indicou.

Segundo o documento, em vários países, a escassez alimentar foi agravada por cortes na ajuda internacional, nomeadamente por parte do Governo dos Estados Unidos.

O continente, ao longo de 2025, atravessou ainda períodos de intensificação da repressão em contexto eleitoral, "com regimes liderados por militares a reprimirem vozes críticas em nome da segurança nacional" e "governos [africanos] a tratarem os protestos como uma ameaça, dispersando-os de forma violenta, restringindo-os indevidamente ou proibindo-os", considerou a Organização Não-Governamental (ONG).

Ao longo do ano passado, milhões de pessoas em África continuaram a ser deslocadas por conflitos e desastres induzidos pelas alterações climáticas, com o Sudão a permanecer como o cenário da maior e mais rápida crise de deslocação a nível mundial.

Além da intensificação dos conflitos no Sudão e República Democrática do Congo (RDCongo) - nação vizinha de Angola - foram relatados ataques e assassínios ilegais por forças governamentais e grupos armados noutras "zonas de conflito prolongado na região", incluindo no Burkina Faso, Camarões, República Centro-Africana, Mali, Moçambique, Níger, Nigéria, Somália e Sudão do Sul.

Por outro lado, de acordo com a ONG, os incidentes de violência sexual relacionada com conflitos continuaram em níveis alarmantes, nomeadamente na República Centro-Africana (RCA), na RDCongo, na Somália, no Sudão do Sul e no Sudão.

Em particular, na RCA, "onde a prática permanece generalizada e subnotificada, a missão da ONU registou 295 casos num período de nove meses, sendo os principais suspeitos membros de um grupo armado, seguidos por forças governamentais".

Também no leste da RDCongo, os níveis de violência sexual foram extremamente elevados. Segundo a ONU, entre janeiro e setembro ocorreram mais de 81.000 violações, um aumento de 31,5% face ao mesmo período de 2024, citou.

As alterações climáticas continuaram a impactar o continente e a ONG considera que os governos e a comunidade internacional falharam na proteção das populações da região contra secas e inundações agravadas pelas mesmas. 

Por sua vez, de acordo com a Amnistia, "normas sociais e atos contrários aos direitos [humanos] continuaram a alimentar a discriminação e a violência baseada no género contra mulheres e raparigas. Ao mesmo tempo, os governos instrumentalizaram sistemas legais para visar e discriminar pessoas LGBTQ+ [Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Queer]".

Por seu turno, milhões de crianças africanas em toda a região foram privadas de acesso à educação devido a conflitos e insegurança.

No relatório alerta-se também para o fenómeno de despejos forçados em África.

"Os governos continuaram a realizar despejos forçados, deixando muitas pessoas sem abrigo e em situação de extrema vulnerabilidade", indicou.

Por fim, a ONG refere que não houve abrandamento no assédio a jornalistas, que foram arbitrariamente detidos em vários países, incluindo Benim, Burkina Faso, Burundi, RCA, Etiópia, Níger, Nigéria, Moçambique, Somália, Uganda e Zimbabué.

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