Angola e Moçambique vão cooperar nos setores espacial e da transformação digital
Moçambique e Angola assinaram hoje, em Maputo, dois memorandos de cooperação destinados a reforçar a colaboração bilateral nos setores espacial, das comunicações, das tecnologias de informação e comunicação (TIC) e da meteorologia.
A assinatura decorreu à margem da 5.ª Conferência Nacional das Comunicações, organizada pela Autoridade Reguladora das Comunicações de Moçambique (INCM), que decorre hoje e terça-feira na cidade de Maputo, e contou com a participação dos ministros Américo Muchanga, de Moçambique, e Mário Oliveira, de Angola.
No setor espacial, o memorando aponta a partilha de conhecimentos, o desenvolvimento de capacidades técnicas e a promoção de iniciativas conjuntas ligadas à utilização de tecnologias espaciais para o desenvolvimento económico e social dos dois países.
Já o memorando para os setores das comunicações, das tecnologias de informação e comunicação e da meteorologia, prevê o intercâmbio de experiências, a cooperação técnica e institucional, bem como a promoção de boas práticas em áreas estratégicas para a transformação digital e a modernização dos serviços públicos.
O Gabinete de Gestão do Programa Espacial Nacional (GGPEN) de Angola tem vindo a trabalhar em estreita colaboração com o Instituto Nacional das Comunicações de Moçambique (INCM), com vista à implementação de soluções de conectividade suportadas pelo satélite angolano ANGOSAT-2, referem as autoridades angolanas numa nota.
"Neste contexto, a Estação Terrena de Boane, localizada na província de Maputo, já se encontra tecnicamente alinhada ao satélite ANGOSAT-2, estando atualmente a receber sinais e a realizar os testes operacionais necessários. As equipas técnicas encontram-se a trabalhar no sentido de concluir a fase de testes e assegurar a ativação plena dos terminais remotos", acrescentam.
O ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social de Angola, Mário Oliveira, afirmou, no final do encontro, haver "uma ligação estreita com Moçambique", que permitiu a assinatura dos dois acordos, os quais visam a transformação digital da sociedade e da economia dos dois países.
O governante angolano referiu que os acordos assinados hoje vão proporcionar o desenvolvimento de tecnologias em benefício dos jovens das duas nações e destacou o potencial de Angola no domínio tecnológico e a pretensão de partilhar com Moçambique.
No âmbito meteorológico, o ministro angolano destacou um projeto "muito ambicioso" de modernização de todo o seu sistema, com a previsão dos mais variados fenómenos meteorológicos.
"Queremos com Moçambique partilhar essa experiência naquilo que estamos a fazer do ponto de vista tecnológico, do ponto de vista da formação de quadros, que é um aspeto muito importante. No que toca à ciência espacial, Angola tem um programa espacial nacional de onde se destaca o satélite de comunicações Angosat-2 e, igualmente está na forja, estamos a trabalhar já com o satélite de observação da terra", explicou.
Segundo o responsável, o Angosat-2, o primeiro satélite geoestacionário de telecomunicações de Angola, vai "muito brevemente" prestar serviços a Moçambique, estando já uma delegação angolana a trabalhar com os moçambicanos para materializar a conexão de ambos países via satélite.
"Queremos passar essa experiência a Moçambique e de Moçambique podermos ter também toda a experiência relacionada com esta matéria. Portanto, é uma relação de `win-win` [ambos ganham]", disse o governante, sem avançar os investimentos previstos para a materialização dos acordos.
Com a partilha de satélite Angosat-2, Angola pretende aumentar a malha de cobertura dos serviços de Internet nas escolas, nas comunidades, podendo a administração pública moçambicana tirar vantagens de uma ferramenta que pode ajudar também empresas, agricultura, indústria mineira e no controlo fronteiriço moçambicano.
"Nós temos uma história muito longa desde a luta de libertação. Ora, se estivemos juntos durante a luta de libertação, contra o `apartheid` aqui na nossa região, naturalmente que temos que estar juntos no desenvolvimento social, económico, tecnológico dos nossos países, com o fim único: fazer com que os nossos países sejam desenvolvidos e esse desenvolvimento há de proporcionar bem-estar aos nossos concidadãos", concluiu.