"Anibalzinho", líder do grupo que assassinou jornalista Carlos Cardoso, foge pela 3ª vez da prisão
Maputo, 07 Dez (Lusa) - Aníbal dos Santos Júnior, "Anibalzinho", o líder do grupo que assassinou o jornalista moçambicano Carlos Cardoso, em Novembro de 2000, fugiu hoje de manhã, pela terceira vez, da prisão, em Maputo, confirmou a polícia moçambicana.
Além de "Anibalzinho" evadiram-se também das celas do Comando-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Maputo, mais dois reclusos, disse aos jornalistas o director da Polícia de Investigação Criminal (PIC) de Moçambique, Dias Balate.
Tratam-se de "Todinho", indiciado na morte do director da Cadeia Central de Maputo, vulgo "B.O", e "Samito", acusado de prática de uma dezena de homicídios, entre os quais o assassínio de quatro agentes da polícia e de um cidadão de origem paquistanesa.
Ambos estavam detidos naquele presídio há aproximadamente um ano.
Segundo o director da PIC, os reclusos evadiram-se por "volta das 10:00", quando "abriram as paredes usando instrumentos contundentes".
A PRM está a investigar os seis agentes, incluindo o chefe do turno, que estavam de serviço, por suspeitar que estes tenham auxiliado os reclusos a concretizar a fuga.
A polícia moçambicana mostrou aos jornalistas o minúsculo buraco feito numa saleta contígua das quatro celas existentes, de onde, eventualmente, o trio conseguiu escapulir-se, provavelmente durante o período de banho solar.
Nas buscas que se seguiram a polícia descobriu apenas uma chave de fenda.
"Foi apanhada uma chave de fenda. Os técnicos estão a analisar se o material encontrado tem alguma ligação com a fuga destes três indivíduos", disse Balate.
Segundo aquele responsável, "a fuga foi às 10h00 e a descoberta foi às 11h00. Alguns populares viram-nos lá fora (...). A polícia não disparou nenhum tiro".
"Neste momento, os colegas que estavam de serviço estão a ser ouvidos. A Brigada Técnica está a analisar aquilo que são os vestígios recolhidos no local e brevemente vamos dar informação daquilo que aconteceu", acrescentou.
"Anibalzinho", condenado a cerca de 30 anos de prisão pela sua participação no assassinato do jornalista Carlos Cardoso, tem no seu currículo outras duas fugas da cadeia de alta segurança da Machava, a principal de Moçambique.
Entre os anos 2002 e 2004, o prisioneiro mais famoso do país conseguiu fugir daquela penitenciária, tendo chegado à África do Sul e ao Canadá, países de onde foi repatriado para Moçambique.
Desde a sua detenção há quase três anos nas celas do comando da PRM em Maputo, "Anibalzinho" já viu frustradas três tentativas de fuga.
No princípio deste ano, "Anibalzinho" tentou evadir-se da cela, serrando as grades numa altura em que chovia torrencialmente na cidade de Maputo, mas a sua acção foi descoberta pela polícia.
Ainda este ano, uma sobrinha de "Anibalzinho" foi surpreendida na posse de folhas de serra e de graxa que, escondidas no cesto da comida que levava para o prisioneiro, se destinariam a retirar as grades da cela.
Em finais de Novembro de 2005, ainda antes do segundo julgamento, "Anibalzinho" protagonizou também uma tentativa de fuga, que não resultou, mas que permitiu a evasão de outros detidos, mais tarde recapturados.
"Anibalzinho", condenado em Janeiro último a 29 anos, 11 meses e cinco dias de prisão por ter chefiado a quadrilha que assassinou Carlos Cardoso, deverá ser expulso para Portugal após cumprir a pena, por ter nacionalidade portuguesa.
MMT
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