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"Anibalzinho", líder do grupo que assassinou jornalista Carlos Cardoso, foge pela 3ª vez da prisão

"Anibalzinho", líder do grupo que assassinou jornalista Carlos Cardoso, foge pela 3ª vez da prisão

Maputo, 07 Dez (Lusa) - Aníbal dos Santos Júnior, "Anibalzinho", o líder do grupo que assassinou o jornalista moçambicano Carlos Cardoso, em Novembro de 2000, fugiu hoje de manhã, pela terceira vez, da prisão, em Maputo, confirmou a polícia moçambicana.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Além de "Anibalzinho" evadiram-se também das celas do Comando-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Maputo, mais dois reclusos, disse aos jornalistas o director da Polícia de Investigação Criminal (PIC) de Moçambique, Dias Balate.

Tratam-se de "Todinho", indiciado na morte do director da Cadeia Central de Maputo, vulgo "B.O", e "Samito", acusado de prática de uma dezena de homicídios, entre os quais o assassínio de quatro agentes da polícia e de um cidadão de origem paquistanesa.

Ambos estavam detidos naquele presídio há aproximadamente um ano.

Segundo o director da PIC, os reclusos evadiram-se por "volta das 10:00", quando "abriram as paredes usando instrumentos contundentes".

A PRM está a investigar os seis agentes, incluindo o chefe do turno, que estavam de serviço, por suspeitar que estes tenham auxiliado os reclusos a concretizar a fuga.

A polícia moçambicana mostrou aos jornalistas o minúsculo buraco feito numa saleta contígua das quatro celas existentes, de onde, eventualmente, o trio conseguiu escapulir-se, provavelmente durante o período de banho solar.

Nas buscas que se seguiram a polícia descobriu apenas uma chave de fenda.

"Foi apanhada uma chave de fenda. Os técnicos estão a analisar se o material encontrado tem alguma ligação com a fuga destes três indivíduos", disse Balate.

Segundo aquele responsável, "a fuga foi às 10h00 e a descoberta foi às 11h00. Alguns populares viram-nos lá fora (...). A polícia não disparou nenhum tiro".

"Neste momento, os colegas que estavam de serviço estão a ser ouvidos. A Brigada Técnica está a analisar aquilo que são os vestígios recolhidos no local e brevemente vamos dar informação daquilo que aconteceu", acrescentou.

"Anibalzinho", condenado a cerca de 30 anos de prisão pela sua participação no assassinato do jornalista Carlos Cardoso, tem no seu currículo outras duas fugas da cadeia de alta segurança da Machava, a principal de Moçambique.

Entre os anos 2002 e 2004, o prisioneiro mais famoso do país conseguiu fugir daquela penitenciária, tendo chegado à África do Sul e ao Canadá, países de onde foi repatriado para Moçambique.

Desde a sua detenção há quase três anos nas celas do comando da PRM em Maputo, "Anibalzinho" já viu frustradas três tentativas de fuga.

No princípio deste ano, "Anibalzinho" tentou evadir-se da cela, serrando as grades numa altura em que chovia torrencialmente na cidade de Maputo, mas a sua acção foi descoberta pela polícia.

Ainda este ano, uma sobrinha de "Anibalzinho" foi surpreendida na posse de folhas de serra e de graxa que, escondidas no cesto da comida que levava para o prisioneiro, se destinariam a retirar as grades da cela.

Em finais de Novembro de 2005, ainda antes do segundo julgamento, "Anibalzinho" protagonizou também uma tentativa de fuga, que não resultou, mas que permitiu a evasão de outros detidos, mais tarde recapturados.

"Anibalzinho", condenado em Janeiro último a 29 anos, 11 meses e cinco dias de prisão por ter chefiado a quadrilha que assassinou Carlos Cardoso, deverá ser expulso para Portugal após cumprir a pena, por ter nacionalidade portuguesa.

MMT

Lusa/Fim


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