Annalena Baerbock inicia audições para o futuro secretário-geral da ONU, "um dos trabalhos mais difíceis do mundo"
A presidente da Assembleia-Geral da ONU, Annalena Baerbock, deu hoje início às audições dos candidatos ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas, que classificou como "um dos trabalhos mais difíceis do mundo, mas também um dos mais importantes".
Annalena Baerbock coordenou hoje de manhã (hora local em Nova Iorque) o arranque do primeiro dos diálogos interativos com os candidatos ao cargo de secretário-geral, com a ex-presidente chilena Michelle Bachelet a inaugurar as audições ao apresentar a sua declaração de visão para a organização, a responder às perguntas dos Estados-membros e a interagir com entidades da sociedade civil.
Os diálogos interativos representam uma etapa crucial no processo e destacam o importante papel da Assembleia-Geral na seleção e nomeação do sucessor de António Guterres. Também ocorrem num momento decisivo para as Nações Unidas.
"A escolha do secretário-geral tem amplas consequências que se repercutem muito além deste edifício. A nossa escolha irá moldar o rumo da organização multilateral única no mundo e demonstrar se as Nações Unidas representam realmente os mais de oito mil milhões de pessoas que servimos em todo o mundo, metade das quais são mulheres e raparigas", afirmou a presidente da Assembleia-Geral da ONU, em declarações aos jornalistas.
Uma década passou desde a última eleição de um secretário-geral e, nestes 10 anos, o mundo tem sofrido profundas transformações, destacou a ex-ministra alemã.
Annalena Baerbock indicou que o mundo assistiu a mudanças na dinâmica geopolítica, a um aumento da violência e dos conflitos, a uma crise climática acelerada, a uma rápida transformação tecnológica, a uma pandemia global e ao aprofundamento das desigualdades dentro e entre as nações.
"Ao mesmo tempo, enquanto as Nações Unidas enfrentam pressões políticas e financeiras sem precedentes, a necessidade de cooperação global nunca foi tão urgente, sobretudo tendo em conta que, no nosso mundo interligado, o que acontece numa região tem repercussões em todas as outras", disse.
Neste contexto, a escolha do próximo líder da ONU "não é uma mera decisão administrativa, mas antes uma declaração de intenções", argumentou, destacando que o próximo secretário-geral terá a responsabilidade não só de lidar com uma série de desafios, mas também de promover reformas essenciais para garantir que uma organização, nascida há 80 anos das cinzas de duas Guerras Mundiais, seja capaz de enfrentar os desafios do século XXI.