Antigo chefe da secreta angolana condenado a quatro anos de prisão

Antigo chefe da secreta angolana condenado a quatro anos de prisão

O antigo director dos Serviços de Inteligência Externa de Angola Fernando Garcia Miala foi hoje condenado a quatro anos de prisão efectiva pelo Supremo Tribunal Militar (STM) pelo crime de insubordinação.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

Três outros colaboradores de Fernando Miala foram condenados a dois anos e seis meses de prisão efectiva.

Os arguidos foram acusados de prática de crime de insubordinação, por não terem comparecido numa cerimónia de desgraduação no Estado-Maior General das Forças Armadas Angolanas, por ordem do seu chefe, o general Francisco Furtado.

Miala foi igualmente acusado de interferir nas missões da escolta do chefe de Estado, de realizar escutas não autorizadas, além do furto de aparelhos de escuta, e de se envolver em relações alegadamente "promíscuas" com membros da Comunicação Social, mas estes crimes não ficaram provados em tribunal.

A sentença foi lida pelo juiz presidente do Supremo Tribunal Militar, António dos Santos Neto "Patónio" e contestada pela defesa, que prometeu interpor recurso.

A décima primeira e última sessão deste julgamento apenas foi testemunhada por meia dezena de jornalistas, enquanto outros foram impedidos de entrar na sala, que foi pequena para acolher o público que aguardava expectante fora do edifício do STM.

Um dos advogados de defesa neste processo, David Mendes, limitou-se apenas a considerar que o julgamento "é uma vergonha da justiça angolana", adiantando que vai "interpor recurso".

Em declarações aos jornalistas, o analista político Justino Pinto de Andrade referiu que a questão ficou reduzida a um assunto militar, quando, "no fundo, era política".

"Para a opinião pública, Fernando Miala não é apenas um insubordinado, foi acusado de ter preparado um golpe de Estado e era isso que queríamos que fosse esclarecido aqui. Infelizmente a acusação não foi nesse sentido, mas no da insubordinação militar", salientou o analista.

De acordo com Justino Pinto de Andrade, "há aqui um acto de injustiça. Cortou-se a carreira e vida de um militar e responsável político a nível nacional, com um acto meramente fabricado".

"Penso que é o primeiro tiro no pé que se dá neste país para um caso tão importante como o julgamento daquela que era talvez a segunda figura de Angola", disse, acrescentando que, "a partir de agora todos temos que repensar sobre que país e justiça é que temos".


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