Aprovada reforma de Milei para exploração mineira nos glaciares argentinos
A reforma do presidente ultraliberal argentino, Javier Milei, que permite a exploração mineira em zonas glaciares protegidas foi hoje aprovada no parlamento, com 137 votos a favor, 111 contra e três abstenções, após 12 horas de debate.
Milei já tinha garantido uma vitória política em fevereiro na sua senda de desregulamentação legislativa, quando passou a reforma laboral que tornou o código do trabalho mais flexível.
"A partir de agora, o nosso país recuperou o verdadeiro federalismo ambiental e uma política inteligente e soberana para a exploração dos seus recursos", disse em comunicado, referindo-se à nova legislação sobre mineração nos vales glaciares.
As novas normas permitem às diversas províncias uma maior liberdade para definir áreas protegidas e autorizar ou proibir atividades económicas e de mineração e já tinham sido aprovadas pelo senado argentino, também em fevereiro.
Na noite de quarta-feira, em Buenos Aires, milhares de pessoas protestaram junto ao parlamento, entre ativistas ambientais e militantes `anti-Milei`, incluindo os partidos da esquerda radical e também reformados que reclamam pelas baixas pensões.
"Água vale mais que ouro!" ou "um glaciar destruído não volta!" foram várias das palavras de ordem e em tarjas da manifestação, que acabou em confrontos entre polícia e os protestantes, resultando em sete detidos.
Ativistas da organização não governamental ecologista Greenpeace subiram escalaram a estátua da república, diante do parlamento e desfraldaram uma grande faixa a pedir aos deputados para não traírem os argentinos.
"Os ambientalistas determinados a impedir o progresso da República Argentina perderam novamente", declarou Milei, cujo argumento para alterar a lei em vigor desde 2010 é o de que se trata de uma passo necessário para atrair investimentos para a indústria de mineira.
Segundo dados oficiais de 2018, a Argentina possui quase 17 mil massas de gelo com mais de um hectare: glaciares simples ou rochosos.