Mundo
Aquecimento global. Peixes estão a fugir de cidade piscatória angolana
Na cidade piscatória de Tômbwa, em Angola, os peixes estão a desaparecer. A extinção de espécies deve-se ao aquecimento das águas do mar que, por sua vez, impede a regeneração de nutrientes necessários para a sobrevivência dos peixes.
Em Tômbwa, cidade litoral de Angola, a pesca é o modo de vida da maioria dos habitantes. Os homens partem para o mar em busca de peixe, enquanto as mulheres aguardam o seu regresso para limpar e preparar o peixe que mais tarde segue para o mercado. Mas o que espera o futuro desta cidade quando já quase não existe peixe?
Recuando aos anos 90, Tômbwa atravessava um período de crescimento exponencial onde a cultura piscatória imperava, com várias empresas de pesca na região. Nos últimos anos, a cidade tem percorrido um caminho oposto. Das 20 empresas relacionadas com a pesca que existiam na década de 90, atualmente apenas restam duas.
“Seis ou sete espécies desapareceram quase por completo, incluindo sardinhas e anchovas – aquelas que estas fábricas foram feitas para processar”, disse Mário Carceija Santos, dono de uma das empresas de pesca que permanece na cidade, apesar de temer que não seja por muito tempo.
“Em algum momento vamos ter de encerrar a fábrica”, lamentou Mário Santos ao The Washington Post.
Tal como explica o jornal norte-americano, o desaparecimento de espécies de peixes deve-se à subida da temperatura das águas e, por sua vez, à falta de oxigénio, mas também à pesca ilegal por parte de grandes embarcações estrangeiras na região.
Aquecimento três vezes mais do que a média
O aquecimento das águas nesta província explica-se, em suma, pelo entrave ao upwelling – o processo que consiste na subida das águas frias das profundezas, ricas em nutrientes, para a superfície do oceano. Os nutrientes alimentam o plâncton, que por sua vez alimenta os peixes.
Estima-se que a temperatura da água ao longo da costa angolana tenha aquecido, no mínimo, 1,5 graus Celsius no último século. No entanto, na costa de Tômbwa, a água está a aquecer a um ritmo maior do que em qualquer outra parte do planeta.
The Washington Post conclui que a temperatura da água nesta região aumentou quase dois graus Celsius desde 1982, o que representa três vezes mais do que a média global de aquecimento do oceano.
Aliada ao aumento da temperatura está a diminuição de oxigénio nos oceanos. As águas ao longo da costa angolana estão a perder oxigénio a uma velocidade de dois por cento por década, tornando-se adversas para a vida marinha.
A dourada, um peixe que existia em abundância em Tômbwa, está a perder a sua capacidade reprodutora com a subida da temperatura das águas. De acordo com The Washington Post, estima-se que a sua capacidade reprodutora tenha diminuído 20 por cento por década nos últimos 30 anos.
O carapau também é uma das espécies que está a fugir para sul à procura de águas mais frias. Os níveis de carapau – um dos peixes mais utilizados na gastronomia angolana – caíram em aproximadamente 430 mil toneladas em 1966, para 137 mil toneladas em 2013.
“Já não ganho a vida com a pesca, apenas sobrevivo”
Com a escassez de peixe em Tômbwa, a pesca deixou de ser um negócio empresarial e passou a ser uma atividade individual. No entanto, a pesca ilegal de arrasto por grandes embarcações estrangeiras também dificulta a vida dos pequenos pescadores.
Os pescadores locais acusam o Governo angolano de ter patrulhas insuficientes para proteger as suas águas destas práticas ilegais.
“Acho que não há nada que possamos fazer para impedir a mudança climática. Mas o mínimo que o Governo poderia fazer era deter a pesca excessiva”, disse Mário Santos.
Nas mesmas águas em que os seus antepassados pescavam grandes quantidades de peixe, agora os pescadores chegam de uma manhã inteira de pesca com o barco praticamente vazio.
“Já não ganho a vida com a pesca, apenas sobrevivo”, disse João Bautista, um pescador local entrevistado pelo The Washington Post.
Recuando aos anos 90, Tômbwa atravessava um período de crescimento exponencial onde a cultura piscatória imperava, com várias empresas de pesca na região. Nos últimos anos, a cidade tem percorrido um caminho oposto. Das 20 empresas relacionadas com a pesca que existiam na década de 90, atualmente apenas restam duas.
“Seis ou sete espécies desapareceram quase por completo, incluindo sardinhas e anchovas – aquelas que estas fábricas foram feitas para processar”, disse Mário Carceija Santos, dono de uma das empresas de pesca que permanece na cidade, apesar de temer que não seja por muito tempo.
“Em algum momento vamos ter de encerrar a fábrica”, lamentou Mário Santos ao The Washington Post.
Tal como explica o jornal norte-americano, o desaparecimento de espécies de peixes deve-se à subida da temperatura das águas e, por sua vez, à falta de oxigénio, mas também à pesca ilegal por parte de grandes embarcações estrangeiras na região.
Aquecimento três vezes mais do que a média
O aquecimento das águas nesta província explica-se, em suma, pelo entrave ao upwelling – o processo que consiste na subida das águas frias das profundezas, ricas em nutrientes, para a superfície do oceano. Os nutrientes alimentam o plâncton, que por sua vez alimenta os peixes.
Com o aquecimento do planeta, o ar quente dos trópicos ao longo do Equador tem-se expandido. Esta massa de ar quente empurra para sul uma zona de alta pressão que se situa na costa angolana responsável pelos ventos fortes e correntes que forçam o upwelling.
A diminuição da “renovação” das águas resulta numa estagnação, levando ao seu aquecimento e escassez de nutrientes, que leva à extinção de espécies de peixes.
Estima-se que a temperatura da água ao longo da costa angolana tenha aquecido, no mínimo, 1,5 graus Celsius no último século. No entanto, na costa de Tômbwa, a água está a aquecer a um ritmo maior do que em qualquer outra parte do planeta.
The Washington Post conclui que a temperatura da água nesta região aumentou quase dois graus Celsius desde 1982, o que representa três vezes mais do que a média global de aquecimento do oceano.
Aliada ao aumento da temperatura está a diminuição de oxigénio nos oceanos. As águas ao longo da costa angolana estão a perder oxigénio a uma velocidade de dois por cento por década, tornando-se adversas para a vida marinha.
A dourada, um peixe que existia em abundância em Tômbwa, está a perder a sua capacidade reprodutora com a subida da temperatura das águas. De acordo com The Washington Post, estima-se que a sua capacidade reprodutora tenha diminuído 20 por cento por década nos últimos 30 anos.
O carapau também é uma das espécies que está a fugir para sul à procura de águas mais frias. Os níveis de carapau – um dos peixes mais utilizados na gastronomia angolana – caíram em aproximadamente 430 mil toneladas em 1966, para 137 mil toneladas em 2013.
“Já não ganho a vida com a pesca, apenas sobrevivo”
Com a escassez de peixe em Tômbwa, a pesca deixou de ser um negócio empresarial e passou a ser uma atividade individual. No entanto, a pesca ilegal de arrasto por grandes embarcações estrangeiras também dificulta a vida dos pequenos pescadores.
Os pescadores locais acusam o Governo angolano de ter patrulhas insuficientes para proteger as suas águas destas práticas ilegais.
“Acho que não há nada que possamos fazer para impedir a mudança climática. Mas o mínimo que o Governo poderia fazer era deter a pesca excessiva”, disse Mário Santos.
Nas mesmas águas em que os seus antepassados pescavam grandes quantidades de peixe, agora os pescadores chegam de uma manhã inteira de pesca com o barco praticamente vazio.
“Já não ganho a vida com a pesca, apenas sobrevivo”, disse João Bautista, um pescador local entrevistado pelo The Washington Post.