Argélia exige a França extradição do líder do Movimento pela Autodeterminação de Cabília

Argélia exige a França extradição do líder do Movimento pela Autodeterminação de Cabília

O Presidente da Argélia exigiu hoje a França a extradição do líder do Movimento pela Autodeterminação de Cabília (MAK), Ferhat Mehenni, por alegada implicação nos incêndios de agosto, no norte do país.

Lusa /
Ferhat Mehenni, líder do Movimento pela Autodeterminação de Cabília (MAK) foto: D.R.

"Têm de o entregar, é um terrorista", disse Abdelmadjid Tebboune, numa entrevista a órgãos de comunicação locais em que invocou a existência de provas sobre a alegada compra de armas pelo movimento independentista, com o apoio de países estrangeiros, incluindo Marrocos.

O procurador de Argel emitiu em setembro um mandado de detenção para Mehenni, exilado em França há duas décadas, após ter obtido asilo político naquele país e renunciado à nacionalidade argelina.

Mehenni é acusado de estar implicado na vaga de incêndios que causou cerca de 90 mortos, incluindo 33 soldados que participavam na evacuação das zonas afetadas.

"Por agora não há nada [resposta], mas o silêncio significa recusa", acrescentou o chefe de Estado argelino, que acusou o MAK e o movimento islâmico Rachad de responsabilidade nos incêndios e de tentarem "atacar" a unidade nacional.

Segundo Tebboune, as duas organizações estarão por detrás do assassínio de Djamel Bensmail, um jovem voluntário no combate aos incêndios, que acabaria por ser linchado e queimado vivo por dezenas de habitantes de Larbaâ Nath Irathen (Tizi Ouzou), um dos municípios mais afetados da região de Cabília, acusado de ter provocado o fogo.

O MAK, fundado em plena revolta popular contra o poder central de Argel, durante a chamada "Primavera Negra" de Cabília (2001-2003), descreve-se como um movimento pacífico que procura organizar um referendo sobre a autodeterminação daquela região.

Em 2010, o grupo formou um Governo provisório no exílio, em Paris, liderado por Mehenni.

Em finais de setembro, a organização não governamental de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional instou as autoridades argelinas a deixarem de processar ativistas e jornalistas nos tribunais e a cessarem a criminalização de organizações políticas com base em falsas acusações de terrorismo, numa nova campanha de repressão para acabar com a dissidência.

Em fevereiro de 2019, arrancou um movimento de protesto contra o regime argelino, o "Hirak", durante o quinto mandato do então Presidente Abdelaziz Bouteflika, que estava no poder há duas décadas, e que acabaria por ser forçado a abandonar o cargo, graças à pressão do exército.

Apesar disso, as manifestações continuaram, exigindo o fim do regime militar, que controla o país desde a independência da antiga colónia francesa, em 1962.

Durante este período, milhares de pessoas foram detidas, incluindo políticos, empresários e militares considerados próximos de Bouteflika.

O atual Presidente, eleito em dezembro de 2019 com a maior taxa de abstenção de sempre (mais de 60%), proibiu as manifestações em maio, um mês antes das últimas eleições legislativas.

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