Argentina rejeita declarações de Starmer sobre ilhas Malvinas e pede diálogo

Argentina rejeita declarações de Starmer sobre ilhas Malvinas e pede diálogo

O ministro dos Negócios Estrangeiros argentino, Pablo Quirno, rejeitou hoje as declarações do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, sobre a soberania do Reino Unido sobre as ilhas Malvinas e pediu o retomar das negociações bilaterais.

Lusa /

"À luz das recentes declarações públicas de altos funcionários do Governo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte sobre a soberania das Ilhas Malvinas, a Argentina reafirma os seus direitos soberanos sobre as Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Ilhas Sandwich do Sul, e as áreas marítimas circundantes", vincou Quirno através nas redes sociais.

O chefe da diplomacia argentina realçou que o seu país está disposto a "retomar as negociações bilaterais com o Reino Unido para encontrar uma solução pacífica e definitiva para a disputa da soberania e pôr fim à peculiar situação colonial em que se encontram", agradecendo ainda à comunidade internacional o apoio à posição argentina.

O gabinete do primeiro-ministro britânico apontou hoje que a soberania do Reino Unido sobre as ilhas Malvinas "não está em causa", após relatos de uma possível reconsideração da posição dos Estados Unidos sobre o assunto em retaliação pela falta de apoio de Londres à guerra contra o Irão.

A reação britânica surgiu após a fuga de um e-mail, alegadamente enviado pelo sistema interno do Pentágono, que detalhava várias medidas que Washington poderia tomar contra países da NATO que não alinharam com os EUA, concretamente Espanha e Reino Unido.

O Presidente argentino, Javier Milei, partilhou a publicação de Quirno, juntamente com a frase "as Malvinas eram, são e serão argentinas".

Horas antes, antes da fuga das comunicações do Pentágono, Milei tinha declarado numa entrevista que o seu Governo está "a fazer tudo o que é possível para garantir que as Malvinas regressem à Argentina".

"Deve ser feito com prudência e bom senso. (...) Estamos a fazer progressos sem precedentes. Mas isso não depende apenas de nós. Estamos a fazer um esforço enorme. Não há nenhum fórum em que não estejamos a reivindicar o território. Estamos a obter um apoio sem precedentes, por exemplo, do Chile", observou Milei.

Desde que as forças britânicas ocuparam as ilhas Malvinas em 1833 e expulsaram os seus habitantes e as autoridades argentinas, o país sul-americano nunca deixou de reivindicar os seus direitos soberanos sobre este arquipélago no Atlântico Sul, palco de uma guerra que terminou em 1982 com a rendição da Argentina às forças britânicas.

Após o regresso da Argentina à democracia em 1983, o país sul-americano tem afirmado incessantemente a sua soberania sobre as ilhas em todo o tipo de fóruns internacionais, enquanto a Assembleia Geral da ONU e o Comité Especial para a Descolonização têm reiteradamente solicitado negociações, sem que Londres concorde.

Ao longo dos anos, a Argentina garantiu o apoio da Organização dos Estados Americanos (OEA), do G77 mais a China e de muitos outros fóruns multilaterais e regionais na sua reivindicação, mas os Estados Unidos sempre apoiaram a posição britânica.

Em 2013, realizou-se um referendo nas ilhas Malvinas, no qual os habitantes votaram esmagadoramente a favor da manutenção do estatuto do arquipélago como território ultramarino dependente do Reino Unido, uma consulta que Buenos Aires sempre considerou ilegal.

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