Armada e familiares assinalam quinto aniversário da tragédia do Kursk
A Armada russa assinalou hoje com um minuto de silêncio o quinto aniversário do naufrágio do submarino nuclear Kursk, em que morreram os seus 118 tripulantes, com especialistas a alertarem para que novas tragédias podem acontecer a qualquer momento.
A 12 de Agosto de 2000, uma explosão acidental na câmara de torpedos do Kursk, considerado a jóia da Marinha de Guerra russa, levou ao seu afundamento no Mar de Barents, um naufrágio que o comando militar russo qualificou de o maior desastre da história da Armada nacional.
As operações de resgate, que mantiveram o país em suspenso durante dias a fio, foram inúteis e levadas a cabo por entre grande secretismo e falta de informação oficial, o que deu origem a uma crise de confiança no presidente russo, Vladimir Putin, que para surpresa geral guardou um silêncio absoluto durante longos dias e recusou qualquer ajuda estrangeira.
Às 11:33 de Moscovo (08:33 em Lisboa), à mesma hora a que há cinco anos se registou a explosão que provocou o naufrágio, as bandeiras de todos os navios da Armada russa foram colocadas a meia haste e os marinheiros observaram um minuto de silêncio.
Em Moscovo, frente ao Museu das Forças Armadas, foi celebrada uma cerimónia solene presidida pelo Chefe do Estado-maior General da Armada, o almirante Vladimir Masorin, a que assistiram familiares dos tripulantes mortos.
Em muitas igrejas do país foram celebrados serviços religiosos em memória das vítimas.
A investigação oficial sobre o acidente, resumida em 133 volumes, 38 dos quais com segredos de Estado, ilibaram de responsabilidades oficiais da Armada, funcionários governamentais e fabricantes do submarino.
Segundo o relatório oficial, uma fuga de peróxido de hidrogénio (água oxigenada) num torpedo desencadeou uma reacção química que elevou a temperatura a 3.000 graus centígrados e produziu uma primeira explosão.
Dois minutos e meio depois, todos os torpedos do compartimento número um rebentaram numa violenta deflagração que destruiu a proa e matou instantaneamente metade dos tripulantes, mas não afectou nem o reactor nuclear nem os 22 mísseis que o submarino transportava.
Os recentes acontecimentos no Pacífico, onde na semana passada um batíscafo (mini-submarino) militar russo foi rapidamente resgatado por equipas de socorro britânicas, "demonstram que (o comando militar russo) não está plenamente consciente da tragédia do Kursk", afirmou hoje o vice-almirante Iuri Sukhachov, ex-chefe dos serviços de resgate a grandes profundidades.
Segundo Sukhachov, desde o naufrágio do Kursk, "não se avançou um milímetro no restabelecimento da antiga capacidade das frotas de resgate".
Um perito russo citado pela agência Interfax disse hoje que "os equipamentos de salvamento que foram comprados depois do naufrágio do Kursk são excelentes e, em alguns aspectos, superam os que foram usados pelos britânicos para resgatar o batíscafo e os seus sete tripulantes".
O problema, acrescentou, é que "não há profissionais capazes de usar esses aparelhos de alta tecnologia" pelo que, enquanto o Ministério da Defesa não providenciar formação, "ninguém pode excluir uma repetição da tragédia do Kursk".
O almirante Vladimir Masorin admitiu hoje que a Armada não pôde usar no resgate do batíscafo o sofisticado aparelho robótico +Venom+, por este ter sido danificado por "especialistas não qualificados".
"Tanto os pilotos profissionais do batíscafo como os técnicos do +Venom+ estavam de férias", disse Masorin, acrescentando que a equipa de resgate britânica tinha o seu melhor especialista de férias, mas chamou-o para participar na operação de resgate.