Assinado contrato para 1.º voo de astronauta de língua portuguesa
O Kremlin foi hoje palco da assinatura, entre Moscovo e Brasília, de um contrato para um voo que levará em 2006 o primeiro astronauta de língua portuguesa, o tenente- coronel brasileiro Marcos César Pontes, à Estação Espacial Internacional (ISS).
O acordo, assinado pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Sérgio Gaudenzi, e pelo seu homólogo russo Anatoli Perminov, na presença dos chefes de Estado Vladimir Putin e Luiz Inácio Lula da Silva, prevê o transporte do tenente-coronel Marcos Pontes numa nave Soyuz até à ISS.
Putin saudou a "cooperação tecnológica" com Brasília: "É um passo importante este contrato que contempla o envio do cosmonauta brasileiro à ISS em 2006", disse, tendo a seu lado Lula da Silva.
O tenente-coronel Marcos Pontos também esteve presente na cerimónia e foi muito felicitado por ambos os chefes de Estado.
"Esperamos que o voo do primeiro cosmonauta brasileiro se realize em Março de 2006", precisou Permitov, explicando que o contrato custou ao Brasil 16,7 milhões de euros, "como é habitual".
Chegado há dias à Rússia, para um treino na Cidade das Estrelas, perto de Moscovo, o astronauta brasileiro deverá ainda superar uma bateria de testes médicos no Centro Iuri Gagarin, insistiu Permitov.
Putin enalteceu a "política independente" de Lula da Silva, "o parceiro mais promissor da América Latina", e aproveitou a ocasião para vincar que este ano o volume de negócios entre os dois países já ascende a mais de 1.650 milhões de euros, envolvendo sobretudo as indústrias aeroespecial e da biotecnologia.
O chefe de Estado brasileiro - cuja viagem foi ensombrada pelo surgimento de novos focos de febre aftosa, causa do embargo russo à importação de carne bovina brasileira - valorizou por seu turno a "parceria estratégica" da Rússia na cena internacional, frisando que além da colaboração em sectores de tecnologia de ponta, os dois países estão empenhados em desenvolver o intercâmbio económico e comercial.
Ambos os presidentes estão a estudar a possibilidade de a Rússia fornecer helicópteros e hidroaviões, de participar na construção de centrais hidroeléctricas e, ainda, de sedimentar a posição de empresas brasileiras nos sectores do petróleo e gás natural.
Putin não deixou passar a oportunidade para garantir apoio à pretensão brasileira de vir a deter um assento permanente num Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) alargado.