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Astrónomos podem ter encontrado a primeira lua fora do Sistema Solar
Uma equipa internacional de astrónomos encontrou aquele que poderá ser o primeiro satélite natural descoberto fora do Sistema Solar. A descoberta foi feita com recurso ao Very Large Telescope, do Observatório Europeu do Sul (ESO), instalado no Chile, e dada a conhecer esta quarta-feira na revista científica Nature. A confirmar-se, representará um marco histórico para a astronomia.
O objeto foi identificado no sistema estelar CD-35 2722, situado a centenas de anos-luz da Terra, e apresenta uma característica rara: em vez de orbitar um planeta, como acontece com a Lua em relação à Terra, gira em torno de uma anã castanha - um corpo celeste maior do que um planeta, mas sem massa suficiente para se tornar uma estrela.
É precisamente esta configuração pouco habitual que está a desafiar os astrónomos.
Kevin Hoy, investigador do ESO e autor principal do estudo, descreve o sistema como "super estranho" quando comparado com o Sistema Solar.
Créditos: ESO News - Youtube
"Este sistema é muito diferente do nosso e obriga-nos a repensar a forma como classificamos alguns objetos no Universo".
Apesar de o novo objeto ter dimensão suficiente para poder ser considerado um planeta, não gira diretamente em torno de uma estrela.
Como acompanha um corpo (anã castanha) que, por sua vez, orbita uma estrela, os investigadores defendem que faz sentido classificá-lo como uma lua, embora seja muito diferente das que conhecemos no Sistema Solar.
Descoberta aguardada há décadas
Os astrónomos já identificaram mais de seis mil exoplanetas, mas encontrar luas fora do Sistema Solar tem sido muito mais difícil.
Até hoje existiam apenas alguns candidatos, sem provas suficientemente sólidas para confirmar a sua existência.Primeira exolua? Mais de seis mil exoplanetas já
foram confirmados pelos astrónomos, mas nenhuma lua fora do Sistema
Solar foi ainda identificada de forma inequívoca. O objeto agora
descoberto poderá ser a primeira exolua conhecida.
Neste caso, a equipa utilizou o instrumento CRIRES+, instalado no Very Large Telescope, para medir pequenas oscilações da anã castanha provocadas pela atração gravitacional do objeto que a acompanha. Segundo os investigadores, estas observações constituem a evidência mais convincente obtida até agora para a existência de uma exolua.
Créditos: ESO News - Youtube
Alice Zurlo, investigadora da Universidade Diego Portales e colaboradora do estudo, considera que esta poderá representar "a primeira deteção plausível de um exossatélite".
O futuro poderá revelar muitas maisAlém de representar um marco na astronomia, a descoberta poderá ajudar os cientistas a compreender melhor como se formam e evoluem os sistemas planetários.
Os investigadores acreditam que o futuro Extremely Large Telescope, atualmente em construção pelo ESO, permitirá detetar exoluas mais pequenas e aprofundar o conhecimento sobre estes objetos.
Se esta descoberta vier a ser confirmada, poderá marcar o início de uma nova etapa na exploração de mundos para além do Sistema Solar e obrigar os astrónomos a rever a forma como classificam alguns dos corpos celestes conhecidos.