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Ativista Khadija Amin diz que UE não quer saber das mulheres e raparigas do Afeganistão

Ativista Khadija Amin diz que UE não quer saber das mulheres e raparigas do Afeganistão

A jornalista e ativista afegã Khadija Amin denunciou hoje que a União Europeia (UE) perdeu o interesse nas mulheres do Afeganistão, acentuando que o "`apartheid` por razões de sexo`" aumenta no país, em particular contra as meninas.  

Lusa /

"A Europa não tem qualquer interesse. Abandonou as mulheres do Afeganistão", afirmou Khadija Amin, que preside à associação Esperança de Liberdade, durante um evento em Madrid, organizado pelo Clube das 25, dirigido pela advogada e ex-deputada Cristina Almeida.

A sua intervenção decorreu na sede da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, onde se reuniram peritas jurídicas e dos direitos humanos, bem como refugiadas, para dar visibilidade à situação que sofrem as mulheres e as meninas sob o regime talibã.

Amin revelou que, há umas semanas, foi a Bruxelas com um grupo de ativistas afegãs para chamar a atenção para a perda de direitos de meninas e mulheres e reclamar que a UE tomasse medidas políticas e diplomáticas efetivas.

Mas, para sua surpresa, nem foram recebidas por qualquer membro do Parlamento Europeu, e expressou ainda a sua surpresa por não terem tido qualquer atenção dos meios, apesar de terem organizado um ato com burcas.

"Não estão a fazer nada, porque o que se passa não os afeta", lamentou, para detalhar que as meninas desde há cinco anos que não podem frequentar a escola além do sexto ano, apontado que cada ano de escolarização perdido representa um fracasso futuro e coletivo.

A ativista considerou que é inexplicável a dor em que as meninas vivem, que apenas querem estudar, acentuando que nem sequer já dizem se quer ser médicas ou professoras quando forem grandes, mas "apenas pensam em poder estudar".

Disse ainda que há meninas que s deslocam a escolas clandestinas, casas escuras, para poder aprender coisas básicas como ler ou escrever, o que faz com que a sua vida fique em perigo, disse Amin, esclarecendo também que para irem a esses locais têm de mentir e dizer que vão estudar o Corão.

Porém, mostrou-se esperançada porque nos últimos anos, graças às novas tecnologias e a voluntárias internacionais, aumentaram as redes de ajuda aos estudos no Afeganistão, com classes interativas dirigidas por profissionais da educação, apesar de o que existe ser claramente insuficiente.

Mas também existem meninas e adolescentes que se fazem passar por rapazes para estudar e trabalhar.

"Sou jornalistas graças a estas aulas", disse Amin, sublinhando que as escolas clandestinas vão ajudar estas crianças a ter um futuro melhor.

A jornalista mencionou ainda o aumento de suicídios entre meninas e adolescentes no Afeganistão por causa dos casamentos forçados e a falta de apoio das famílias, que as levam a isso.

Nestes casamentos, se forem alvo de agressão que cause a quebra de ossos, podem fazer queixa em alguns casos, mas o marido é punido apenas com 15 dias de prisão.

Em comparação, no caso dos maus-tratos a camelos, as penas podem atingir cinco meses ou mais, lamentou, explicando que existe todo "um sistema que protege os homens", os quais alegam, na sua maioria, que durante os anos em que houve alguma democracia no Afeganistão foram concedidas "demasiadas" liberdades às mulheres.

Na iniciativa também participou o diretor da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, Antón Leis, que destacou a importância da manutenção da ajuda, apesar das dificuldades colocadas pelas autoridades afegãs.

Denunciou ainda o aumento da mortalidade infantil em alguns países, por "uma descida bestial", da ajuda internacional, pero contrapôs que a Espanha aumentou os seus contributos para a cooperação e que se vai manter "firme" neste sentido.

 

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