Audiências dos seis acusados do naufrágio do Costa Concordia começou hoje em Itália

Audiências dos seis acusados do naufrágio do Costa Concordia começou hoje em Itália

Grosseto, Itália, 15 abr (Lusa) -- As audiências preliminares dos seis acusados no caso do naufrágio do navio de cruzeiro Costa Concórdia começaram hoje, na Itália, com as autoridades locais a pedirem mais de 80 milhões de euros de indemnização.

Lusa /

O navio Costa Concórdia naufragou na costa italiana a 13 de janeiro de 2012, durante um cruzeiro pelo Mediterrâneo, provocando a morte de 32 passageiros.

O Costa Concórdia sofreu o acidente quando, a alta velocidade, embateu contra um grupo de rochas em Giglio, estando 4.229 pessoas de 70 países a bordo do navio.

O principal suspeito do processo é o capitão do navio, Francesco Schettino, que alegadamente causou o naufrágio, não informou devidamente a guarda costeira e abandonou o cruzeiro durante o resgate dos passageiros.

O capitão Schettino teria arriscado uma manobra de "saudação" para a ilha e, após o impacto, o navio gigante virou bruscamente e tombou em águas rasas perto da costa.

Schettino vive atualmente em liberdade condicional, na cidade de Meta, na Costa Amafiltana, no sul da Itália, estando presente hoje na audiência com a permissão do juiz.

Os advogados da ilha de Giglio, onde o navio ainda permanece naufragado, disseram que a autarquia local pede uma indemnização de mais de 80 milhões de euros, sobretudo por danos ambientais.

Um grupo de passageiros, chamado de "Justiça para o Concórdia", está a pedir uma indemnização de 500 mil euros para cada sobrevivente.

Quatro tripulantes de Schettino também são acusados pelo Ministério Público, entre os quais o timoneiro indonésio Jacob Rusli Bin, que continua foragido da justiça e será julgado à revelia.

O outro acusado é Roberto Ferrarini, chefe da unidade de crise da Costa Cruzeiros (Costa Crociere, empresa proprietária do navio), que foi denunciado por não manter a guarda costeira adequadamente informada do desastre, retardando o resgate.

Todos os seis são acusados de homicídio.

Muitos sobreviventes processaram a empresa, mas a maior parte, que não se feriu ou não perdeu amigos ou parentes no acidente, aceitou a indemnização de 11 mil euros proposta pela empresa proprietária do navio.

O tribunal já agendou 40 audiências preliminares, que deverão ocorrer até julho, pelo que o processo só seguirá em frente depois de terminada esta etapa, que está a ocorrer em Grosseto, próximo da ilha de Giglio.

A empresa Costa Cruzeiro já pagou uma multa de um milhão de euros e aceitou, em tribunal, uma culpa de responsabilidade limitada como empregadora dos suspeitos.

Alguns advogados alegam que a empresa tinha os funcionários mal treinados e equipamentos a bordo do navio avariados, atrasando o resgate, sendo estas acusações negadas pela Costa Cruzeiros.

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