EM DIRETO
Guerra no Médio Oriente. Acompanhe aqui, ao minuto, a evolução do conflito

Ausência de Kim Jong-un alimenta especulações sobre o seu estado de saúde

Ausência de Kim Jong-un alimenta especulações sobre o seu estado de saúde

O líder norte-coreano Kim Jong-un está desaparecido há mais de um mês e a sua ausência ganhou mais peso esta sexta-feira quando faltou às cerimónias que assinalaram os 69 anos do Partido dos Trabalhadores. Com os rumores a avançarem em Pyongyang, surge uma tímida explicação do regime assente na tese de que um problema ortopédico obrigou o líder coreano a ir ao bloco operatório, razão pela qual tem estado impossibilitado de atender a acontecimentos públicos. Sabemos no entanto que a última vez que um líder comunista desapareceu aos olhos do seu povo foi para sempre – aconteceu no início de 2013 com Hugo Chávez, o então Presidente da Venezuela.

RTP /
Reuters/KCNA

A tese ortopédica poderá no entanto revelar-se curta para pôr termo às especulações em torno do estado de saúde de Kim Jong Un, que não aparece em público há mais de um mês. O líder coreano não se mostra desde 3 de Setembro e falhou esta sexta-feira o aniversário do Partido dos Trabalhadores.

A ausência prolongada de Kim Jong-un tem levantado dúvidas quanto ao seu estado de saúde e a oposição no exílio já está a aproveitar a oportunidade para envenenar a autoridade política na Coreia do Norte.

Vários activistas sul-coreanos lançaram para lá da fronteira balões gigantes com panfletos e informação contra o regime gravada em CD e DVD.

Não é uma situação nova. Também na Venezuela a ausência prolongada de Hugo Chávez para tratamento a um cancro abdominal em Cuba abriu em Janeiro de 2013 um caminho largo às especulações dos opositores. Durante semanas apenas fotografias ensaiadas com o jornal cubano Granma, na edição do dia e ao lado das filhas, faziam prova de vida de um comandante ausente do seu posto.Dizem certas línguas do regime que Kim Jong-un terá “engordado intencionalmente” de modo a ficar parecido com o avô, Kim Il-sung.

Mais de um mês depois após essa quarta operação em Cuba, quer o estado de saúde de Chávez quer o local onde se encontrava eram segredos mais bem guardados do que a fórmula da Coca-Cola. A narrativa começou a corromper-se dentro da própria estrutura do Poder, com declarações contraditórias de três altos responsáveis sobre o regresso iminente de Chávez à Venezuela. O mesmo não é expectável que suceda neste caso, já que oposição e dissonância são elementos que não têm lugar na parte norte da Península Coreana.
Um cesto de flores e o nome numa etiqueta
Os regimes autoritários estão ancorados na imagem, pelo que a presença de Kim, o ditador de 31 anos, foi assinalada nas cerimónias desta sexta-feira através de uma etiqueta colocada num dos cestos de flores que foram colocados aos pés das estátuas dos seus pai e avô – Kim Jong-il e Kim Il-sung –, os anteriores líderes do país.

O que fica, no entanto, é uma sequência de imagens públicas em que o jovem ditador surge a caminhar com dificuldade. A explicação mais ou menos oficial lança a teoria de um problema ortopédico, o que afastaria as teses de um desconforto físico ligado a origem mais grave.

Tratar-se-ia de uma lesão ganha este Verão durante um exercício militar em que teria tomado parte depois de “tornar obrigatória a participação dos seus generais: estavam a rastejar, a correr, e ele rompeu um tendão”.

O que se sabe é que quando o seu pai, Kim Jon-il, atravessava problemas de saúde na fase da sua vida, os escassos porta-vozes do regime nada diziam, mantendo um tabu sobre o real estado do seu “querido líder”. Demoraram dois dias a anunciar a sua morte em Dezembro de 2011.
Tópicos
PUB