Austrália prevê regresso da Síria de mulheres e crianças associadas ao Estado Islâmico

Austrália prevê regresso da Síria de mulheres e crianças associadas ao Estado Islâmico

A Austrália confirmou hoje que um grupo de mulheres e crianças ligadas ao Estado Islâmico (EI) na Síria e com cidadania australiana planeia regressar ao país, mas alertou que terão de "enfrentar todo o peso da lei".

Lusa /
Fadel Senna - AFP

O ministro do Interior, Tony Burke, assinalou num comunicado que as autoridades não repatriarão nem prestarão assistência ao grupo, composto por 13 pessoas, quatro mulheres e nove menores, alertando, por outro lado, que as agências de segurança estão preparadas para a eventual chegada das pessoas e que "uma parte será detida".

"Estas são pessoas que tomaram a terrível decisão de se juntar a uma organização terrorista perigosa e de colocar os seus filhos numa situação indescritível", afirmou Burke.

O ministro acrescentou que qualquer membro que tenha cometido crimes enfrentará as consequências legais correspondentes.

"Como já dissemos muitas vezes, qualquer membro deste grupo que tenha cometido crimes pode esperar enfrentar todo o peso da lei", sublinhou.

Burke indicou que as agências de inteligência e segurança se preparam há mais de uma década para este tipo de cenários, com "planos de longa data para os gerir e vigiar".

Este caso insere-se no contexto de tentativas recentes de regresso de cidadãos australianos ligados ao grupo extremista islâmico.

Em fevereiro, o Governo emitiu uma ordem de exclusão temporária contra um dos 34 australianos que tentaram regressar de um campo no nordeste da Síria, uma medida que pode impedir a entrada no país por um período de até dois anos.

Burke explicou na altura que a decisão foi tomada "por recomendação das agências de segurança", enquanto o resto do grupo, 11 mulheres e 23 menores, permanecia detido há mais de seis anos no campo de Al-Roj, no nordeste da Síria, após a queda territorial do EI em 2019.

As autoridades sírias impediram na altura a transferência do grupo para Damasco, obrigando-as a regressar ao campo.

Embora Camberra não tenha facilitado o regresso do grupo, a Austrália tem obrigações internacionais de permitir o regresso dos seus cidadãos e, segundo especialistas, mantê-los em campos poderia aumentar o risco de radicalização.

O caso reacende o debate na Austrália sobre como gerir o regresso de familiares de combatentes extremistas estrangeiros, num contexto de renovada preocupação com a segurança após o atentado de dezembro contra a comunidade judaica em Sydney.

O EI comemorou dias depois ter inspirado o ataque, embora não tenha reivindicado a autoria direta.

O Comité contra o Terrorismo do Conselho de Segurança da ONU estimou em 2014 que mais de 30 mil combatentes estrangeiros se deslocaram para zonas de conflito no Médio Oriente para se juntarem a organizações fundamentalistas como a Al-Qaeda e o EI.

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