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Autoridades do Kosovo investigam vala comum de vítimas da guerra dos anos 90
A Procuradoria do Kosovo ordenou buscas pelos restos mortais de cerca de 20 albaneses, três dias após a detenção de dois sérvios de Zubin Potok, no norte do país. As escavações decorrem na aldeia de Kalludër, na mesma região.
O primeiro-ministro do Kosovo, Albin Kurti, publicou na rede X, esta quinta-feira, as expetativas das buscas, que poderão desvendar o sítio onde foram enterrados os restos mortais de "um grupo de 23 intelectuais de Mitrovica (norte da
Sérvia), incluindo médicos, professores e defensores dos direitos
humanos, que foram sequestrados e estão desaparecidos desde 19 de abril
de 1999",
No início desta semana foram descobertos restos mortais no local, revelou a procuradoria kosovar, sem fornecer mais detalhes. É "demasiado cedo" discutir os resultados nesta fase das
escavações, disse à imprensa o procurador, Blerim Isufaj, durante uma visita ao local esta quinta-feira. "A identificação leva tempo e exige o cumprimento de procedimentos
rigorosos para recuperar e identificar cada corpo através da análise de
ADN", afirmou Isufaj.
Quase 1.600 pessoas estão ainda desaparecidas após a Guerra do Kosovo (1998-1999), entre as forças sérvias e guerrilheiros albaneses do Kosovo, que matou aproximadamente 13.000 pessoas.
Entre os desaparecidos encontram-se 1.100 albaneses do Kosovo, na sua maioria civis, e cerca de 500 sérvios, ciganos ou membros de outras minorias.
Praticamente três décadas depois da guerra, as relações
tensas entre o Kosovo e a Sérvia - que nunca reconheceu a independência
declarada em 2008 pela sua antiga província - afectam as buscas por eventuais restos mortais. A equipa forense formada pelo Kosovo para investigar as centenas de valas comuns já identificadas desde o fim da guerra, encontrou dezenas de restos mortais no passado mês de Março, num terreno em Perzhina, perto da cidade de Rahovec, no sul do país.
Uma comissão conjunta composta por especialistas kosovares e sérvios, formada há mais de dois anos, reuniu-se em Bruxelas, em Janeiro, pela primeira vez, sob os auspícios de Bruxelas.
Esta comissão tem como objectivo iniciar a cooperação entre Belgrado e Pristina para encontrar locais que contenham valas comuns.
Além de centenas de execuções de civis, a Guerra do Kosovo ficou marcada por três grandes massacres.
O de Radak, em 15 de janeiro de 1999, vitimou 45 civis albaneses, mortos pelas forças de
segurança sérvias na aldeia de Račak, levando a uma forte resposta
da comunidade internacional e da NATO.
O Massacre de Meja deu-se a 27 de abril de 1999: cerca de 370 homens e rapazes albaneses foram executados por forças sérvias numa operação de represália perto de Đakovica.
O Massacre de Izbica ocorreu a 28 de março de 1999, quando mais de 100 civis foram executados sumariamente logo após o início dos bombardeamentos da NATO.