Avião da Lion Air que caiu no mar de Java não reunia condições de segurança

Avião da Lion Air que caiu no mar de Java não reunia condições de segurança

Um relatório preliminar lançado esta quarta-feira avançou que o avião da companhia aérea Lion Air que se despenhou a 29 de outubro no mar de Java, matando os 189 passageiros a bordo, não reunia as condições de segurança necessárias para poder voar. Nos minutos anteriores à queda, os pilotos do voo 610 lutaram, sem sucesso, contra a falha dos sistemas automáticos que deverá ter sido a causa do acidente. Problemas técnicos deste tipo tinham já sido reportados em voos anteriores.

Joana Raposo Santos - RTP /
Um sistema de segurança automático fez com que a frente do avião descesse bruscamente no ar mais de vinte vezes Darren Whiteside - Reuters

O relatório do Comité Nacional de Segurança nos Transportes (KNKT, na sigla original), revelou que os pilotos tentaram, repetidamente, anular um sistema de segurança automático que fez com que a frente do avião, onde fica a cabine de pilotagem (o cockpit) descesse bruscamente no ar mais de vinte vezes.

O sistema automático baixava a frente do avião sempre que detetava, erradamente, que esta se encontrava com uma inclinação mais elevada do que a real. Esta falha no sistema poderá ter sido provocada por uma avaria num dos sensores externos.O avião voava a cerca de 724 quilómetros por hora quando caiu no mar de Java, 13 minutos após a descolagem.

De acordo com o relatório, os pilotos tentaram corrigir manualmente a situação dois minutos após a descolagem e, como o problema persistia, continuaram a agir da mesma forma até que o aparelho se despenhou no mar, com a frente a mergulhar primeiro.

Os investigadores responsáveis pelo relatório não conseguiram decifrar a razão pela qual os pilotos do voo 610 não desativaram o sistema automático, tal como tinha feito outra tripulação no dia anterior ao ser confrontada com um problema semelhante.

O avião era um Boeing 737 Max 8, uma nova versão do Boeing 737, e rapidamente se tornou o modelo mais vendido em menor período de tempo pela multinacional norte-americana The Boeing Company.
"Não era seguro"
O relatório sugere que a Lion Air optou por colocar o avião em serviço apesar das falhas que já tinham sido detetadas noutros voos.

“Na nossa opinião, o avião já não era seguro e não devia ter continuado a ser utilizado”, declarou Nurcahyo Utomo, chefe de aviação do KNKT, admitindo que ainda não foi possível concluir se a falha no sistema automático foi a causa do acidente.

As autoridades continuam a tentar encontrar o gravador de voz do cockpit, acreditando que este se encontra enterrado nas lamas do fundo do oceano. “Precisamos de ouvir gravações da conversa dos pilotos durante o voo”, disse Utomo, acreditando que estas permitirão perceber concretamente o que aconteceu.

Um relatório preliminar lançado esta quarta-feira avançou que o avião da companhia aérea Lion Air que se despenhou a 29 de outubro no mar de Java, matando os 189 passageiros a bordo, não reunia as condições de segurança necessárias para poder voar. Nos minutos anteriores à queda, os pilotos do voo 610 lutaram, sem sucesso, contra a falha dos sistemas automáticos que deverá ter sido a causa do acidente.


O relatório do comité refere que a cultura de segurança da Lion Air deve ser melhorada e que, para tal, a companhia aérea tem de garantir que o manual de operações é seguido à risca pelos tripulantes. A companhia low cost registou, desde o ano 2000, 16 acidentes. Um deles matou 25 pessoas e o mais recente matou 189.

A Lion Air garante que o piloto e o copiloto do voo 610 eram experientes, com seis mil e cinco mil horas totais de voo, respetivamente.

Em resposta ao relatório preliminar, a Boeing afirmou estar “profundamente triste” pelo sucedido. Continua, porém, a considerar o 737 Max 8 “tão seguro como qualquer outro avião”, alegando que a empresa continuará a “tomar todas as medidas para compreender na totalidade os aspetos deste acidente”.

O KNKT vai continuar a investigação e planeia testar o sensor avariado, que tinha já sido sujeito a manutenção depois de o problema ser detetado num voo anterior. O relatório final deverá estar concluído dentro de 12 meses.
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