BAD lança mecanismo para economia circular em África com apoio da Finlândia

BAD lança mecanismo para economia circular em África com apoio da Finlândia

O Banco Africano de Desenvolvimento lançou hoje em Acra o Mecanismo de Economia Circular em África, no valor de quatro milhões de euros, com o qual quer criar um ambiente favorável aos negócios circulares e promover mais emprego jovem.

Lusa /

"É a primeira iniciativa do género (..) e reflete a aspiração do banco de encontrar soluções para dissociar o crescimento africano de uma extração insustentável de recursos", disse Kevin Kariuki, vice-presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para a Energia, Alterações Climáticas e Crescimento Verde, na sessão de lançamento, nos encontros anuais da instituição a decorrer em Acra.

A economia circular é um modelo de produção e consumo que envolve a partilha, aluguer, reutilização, reparação, renovação e reciclagem dos materiais e produtos existentes, durante o maior tempo possível.

"A economia circular cria novas cadeias de valor e gera novos empregos para os jovens", afirmou Kariuki, acrescentando que o BAD planeia usar os recursos do mecanismo "para criar um ambiente favorável aos negócios circulares e gerar novos projetos verdes que estão atualmente no setor informal, que é de alto risco".

O mecanismo agora lançado foi aprovado em março pelo conselho de administração do BAD para impulsionar a integração da economia circular nos esforços africanos para alcançar os objetivos definidos para o combate às alterações climáticas e o desenvolvimento da economia verde.

O mecanismo, um fundo fiduciário de múltiplos doadores, funcionará durante um período de cinco anos e receberá um apoio inicial de quatro milhões de euros do Governo da Finlândia e do Fundo Nórdico de Desenvolvimento.

O vice-diretor-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Finlândia, Juha Savolainen, cujo país foi o primeiro do mundo a criar um roteiro para a economia circular, segundo o BAD, explicou que a economia circular "é uma parte importante do esforço da Finlândia para se tornar neutro em carbono até 2035".

"Só faltam 13 anos, mas estamos no caminho para alcançar esse objetivo", disse o responsável, acrescentando que Helsínquia quer agora partilhar a experiência com os países africanos.

Sublinhou ainda que os negócios da economia circular estão a gerar lucros rápidos e, até agora, a economia da Finlândia registou mais de dois mil milhões de euros de valor adicionado pela economia circular.

"As estimativas são de que até 2030 haja mais três mil milhões de euros", afirmou.

Kariuki agradeceu o contributo de quatro milhões de euros doado pela Finlândia e pelo Fundo Nórdico de Desenvolvimento e disse que este é apenas um primeiro passo de um processo.

E justificou a importância desta iniciativa recordando que "a mudança climática em África já está travada para os próximos 20 anos" e mesmo que o continente não produzisse mais gases poluentes, os impactos estão lá.

Kariuki explicou que o mecanismo terá três pilares: ajudar os países a fazer a legislação, regulamentação e criação de incentivos para as pequenas e médias empresas a envolverem-se na economia circular, apoiar as micro, pequenas e médias empresas com subsídios, formação, informação empresarial, e a advocacia da economia circular através da Aliança Africana de Economia Circular.

Savolainen disse que a economia circular tem grande potencial em África, exemplificando que o crescimento urbano produz lixo biológico em grandes quantidades que pode ser usado como fertilizante na agricultura, num momento em que os preços dos fertilizantes industriais são um problema global.

 

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