Bailarina que protegeu fundador Sendero Luminoso condenada 20 anos prisão

Bailarina que protegeu fundador Sendero Luminoso condenada 20 anos prisão

A bailarina que ocultou numa casa de Lima o fundador do Sendero Luminoso Abimael Guzman, Maritza Garrido Lecca, foi condenada terça-feira a 20 anos de prisão pelo crime de terrorismo.

Agência LUSA /

O Tribunal Penal Nacional Antiterrorismo condenou também Garrido Lecca a pagar uma reparação civil de 18.000 dólares, durante uma audiência celebrada na penitenciária Miguel Castro Castro de Lima.

A condenação substitui o processo sumário a que foram submetidos todos os dirigentes do Sendero Luminoso na década passada sob uma legislação considerada irregular pelo Tribunal Constitucional em 2001.

A artista foi detida pela polícia peruana em 1992, juntamente com toda a cúpula do grupo armado, numa casa de Lima, onde mantinha escondidos Guzman e os principais dirigentes do grupo maoísta.

A bailarina alugou a vivenda com outro membro do Sendero e expressou a sua simpatia pela organização terrorista na apresentação pública feita então pela Polícia.

O Tribunal penal precisou que Garrido Lecca cumprirá a condenação em 2012.

Todavia, a sua defesa disse que o seu único delito tinha sido alugar a casa para a cúpula senderista, ao pretender explicar a sua participação no grupo subversivo.

O Ministério Público tinha solicitado prisão perpétua para a artista por considerar que a sua militância no Sendero tinha ficado demonstrada.

Na opinião do coronel da polícia Benedicto Jimenez, um dos artífices da detenção da cúpula do Sendero em 1992, a bailarina teve uma rápida ascensão no movimento e pertencia ao Departamento de Apoio ao grupo armado.

Abimael Guzman e mais de uma dezena de cabecilhas do Sendero Luminoso estão a ser submetidos a um novo julgamento em que enfrentam penas de prisão perpétua pelos 69.000 mortos e os 25.000 milhões de dólares em perdas económicas provocados no país em 20 anos de violência terrorista.

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