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Baleias-jubarte chegam à costa da Irlanda cada vez mais cedo devido ao aumento da temperatura do mar
Nova investigação académica mostra que as baleias-jubarte estão a visitar a costa irlandesa cada vez mais cedo a cada ano que passa, o que está relacionado com o aumento das temperaturas globais dos oceanos.
A investigação foi liderada por Miguel Blásquez, doutorando da ATU Galway, que analisou dados relativos a cerca de 20 anos sobre as baleias-jubarte, recolhidos pelo Irish Whale and Dolphin Group (IWDG).
A investigação revelou que a primeira observação de baleias-jubarte da época avançou de 15 de setembro em 1999 para 2 de maio em 2015 e para 2 de março em 2023.
O IWDG tem vindo a recolher registos de avistamentos e identificação fotográfica desde 1999, no âmbito de um projeto de ciência cidadã denominado Whale Track Ireland.
As imagens foram enviadas por naturalistas, cientistas cidadãos e observadores. Os avistamentos foram posteriormente validados, seguindo metodologias rigorosas para garantir a qualidade dos dados.
Entre 1999 e 2023, foram registados um total de 1.127 avistamentos de baleias-jubarte por identificação fotográfica devido à colaboração de 226 pessoas diferentes.
As baleias-jubarte, cujo comprimento varia entre os 12 e os 18 metros, podem ser encontradas em todas as principais bacias oceânicas e são capazes de percorrer milhares de quilómetros.
O estudo publicado na revista Marine Mammal Science indica que as primeiras observações anuais se anteciparam a um ritmo de aproximadamente nove dias por ano entre 1999 e 2023.
Os investigadores afirmaram que, ao que sabem, taxas tão elevadas como estas ainda não foram registadas noutros locais. Acrescentaram ainda que a última observação da época se manteve estável.
Miguel Blásquez / IWDG
Os investigadores descobriram que 70 por cento das baleias-jubarte identificadas foram registadas novamente ao longo de diferentes anos civis e que 25 por cento dessas foram avistadas novamente cinco ou mais anos depois.
A monitorização sugere que as baleias-jubarte identificadas passaram, no mínimo, 20 dias a patrulhar, a caçar e a alimentar-se num raio de 100 km enquanto se encontravam em águas irlandesas.
O estudo, reconhecido como a análise mais abrangente até à data sobre os padrões de deslocamento das baleias-jubarte nas águas irlandesas, contou com o apoio da Fundación Mutua Madrileña e do programa de bolsas de pós-graduação do Governo.
Os resultados estão em consonância com as previsões sobre os efeitos das alterações climáticas nos ambientes marinhos, na medida em que o aumento da temperatura do mar pode alterar a disponibilidade e a distribuição das presas.
A investigação sugeriu que as medidas de proteção baseadas na área poderiam ajudar a mitigar os impactos das atividades humanas nas baleias-jubarte que se alimentam nas águas costeiras irlandesas.
O artigo intitulado "Fidelidade aos locais, permanência e padrões de deslocamento das baleias-jubarte na Irlanda com base em dados da ciência cidadã" foi publicado na revista Marine Mammal Science.
Miguel Blásquez / IWDG
O investigador Simon Berrow, do IWDG, afirmou que, quando o projeto teve início, as primeiras baleias foram avistadas ao largo da costa de Cork, mas, nos últimos anos, têm vindo a aparecer com maior frequência na Baía de Donegal.
"Estabelecemos uma correlação aproximada entre este fenómeno e as temperaturas da superfície do mar. Sabemos que os mares estão a aquecer e que isso tem impactos profundos nas presas e no comportamento das baleias", afirmou.
"Mas não se trata apenas da temperatura do mar. Provavelmente também te, a ver com a distribuição dos alimentos: peixes pelágicos e peixes forrageiros. As baleias estão aqui para se alimentarem", acrescentou.
A par deste padrão, o intervalo entre a primeira e a última observação sazonal de baleias-jubarte, registado pelo IWDG, aumentou de 47 dias em 1999 para 241 dias em 2023.
A investigação coordenada por Miguel Blásque estimou que existam 154 baleias-jubarte nas águas irlandesas, um número que está a aumentar, segundo Berrow.
A investigação revelou que a maioria das baleias-jubarte nas águas irlandesas se reproduz em Cabo Verde, ao largo da África Ocidental; enquanto outras se reproduzem nas Caraíbas.
"Constatámos uma melhoria no seu estado físico enquanto estão aqui, pelo que este é um momento crucial para as baleias acumularem reservas de energia, de modo a poderem regressar às zonas de reprodução."Estas baleias alimentam-se de peixes forrageiros, principalmente petinga e enguia-da-areia nesta altura do ano. É fundamental que protejamos os peixes forrageiros, não só pelas baleias, mas também por outros predadores e outras espécies de peixes comerciais", afirmou.
Berrow descreveu a presença de baleias-jubarte nas águas irlandesas como fantástica, uma vez que contribui para o turismo marítimo ao longo da costa.
"Temos assistido a uma expansão rápida desta atividade nos últimos anos, especialmente na Baía de Donegal, onde as pessoas podem observar baleias, numa experiência única a nível internacional."
Uma baleia-jubarte identificada esta semana na Baía de Donegal foi avistada ao largo de Cork e Kerry nos últimos anos.
Berrow afirmou que é importante alcançar um equilíbrio entre a proteção, a conservação e as oportunidades de observar as "espécies incríveis".
"Temos de encontrar esse equilíbrio entre proteger as presas, não as perturbar e proporcionar oportunidades fantásticas para que as pessoas possam observar estas espécies incríveis, porque a Irlanda oferece uma experiência de observação de baleias de nível internacional durante o período em que estas se encontram no país", concluiu.
Shane Ó Curraighín / 28 junho 2026 13:35 GMT+1
"Temos assistido a uma expansão rápida desta atividade nos últimos anos, especialmente na Baía de Donegal, onde as pessoas podem observar baleias, numa experiência única a nível internacional."
Uma baleia-jubarte identificada esta semana na Baía de Donegal foi avistada ao largo de Cork e Kerry nos últimos anos.
Berrow afirmou que é importante alcançar um equilíbrio entre a proteção, a conservação e as oportunidades de observar as "espécies incríveis".
"Temos de encontrar esse equilíbrio entre proteger as presas, não as perturbar e proporcionar oportunidades fantásticas para que as pessoas possam observar estas espécies incríveis, porque a Irlanda oferece uma experiência de observação de baleias de nível internacional durante o período em que estas se encontram no país", concluiu.
Shane Ó Curraighín / 28 junho 2026 13:35 GMT+1
Edição e Tradução / Joana Bénard da Costa