Barragem moçambicana de Cahora Bassa recupera após anos de seca

Barragem moçambicana de Cahora Bassa recupera após anos de seca

A Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), em Moçambique, recuperou a capacidade útil da albufeira para 56%, após mínimos históricos, permitindo levantar restrições.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

A produção de energia aumentou em 13%, atingindo receitas de 226 milhões de euros até junho, refere hoje a empresa estatal moçambicana em comunicado.

A empresa refere que produziu 6.399,03 Gigawatt-hora (GWh) entre janeiro e junho, resultado que representa um crescimento de 13% face ao primeiro semestre de 2025 e supera em cerca de 10% a meta de produção definida para o período.

A HCB indica que o resultado foi alcançado através de uma "estratégia de exploração e operação baseada numa gestão criteriosa dos recursos hídricos", que permitiu "conciliar o aumento da produção de energia com a recuperação das reservas da Albufeira de Cahora Bassa, reforçando a sustentabilidade da operação e a segurança energética".

A albufeira de Cahora Bassa é a quarta maior de África, com uma extensão máxima de 270 quilómetros em comprimento e 30 quilómetros entre margens, ocupando 2.700 quilómetros quadrados e uma profundidade média de 26 metros, contando com quase 800 trabalhadores, sendo uma das maiores produtores de eletricidade na região austral africana, abastecendo os países vizinhos.

A empresa atribui a recuperação da albufeira às "condições hidrológicas mais favoráveis verificadas na Bacia do Zambeze, particularmente na bacia própria de Cahora Bassa", bem como às "medidas de gestão operacional, de engenharia e de manutenção implementadas pela empresa".

Nos primeiros seis meses do ano, o armazenamento útil da albufeira aumentou cerca de 35 pontos percentuais, passando de aproximadamente 20%, considerado um mínimo histórico, para um máximo de 56%, correspondente à cota de 316,22 metros.

Segundo a HCB, essa recuperação "assinala uma mudança significativa após dois anos hidrológicos consecutivos marcados por seca severa" e "cria condições para um levantamento gradual das restrições operacionais em vigor desde julho de 2024".

Os resultados financeiros acompanharam o desempenho operacional, atingindo 263 milhões de dólares (226 milhões de euros), com o resultado líquido acima de 115 milhões de dólares (99 milhões de euros).

A HCB sublinha ainda que os resultados foram alcançados num contexto de "zero acidentes de trabalho" durante o semestre.

Citado no comunicado, o presidente do conselho de administração da HCB, Tomás Matola, afirmou que "estes resultados demonstram a capacidade da empresa de responder aos desafios operacionais, preservando simultaneamente a sustentabilidade dos recursos hídricos".

"Produzir mais energia, enquanto recuperamos as reservas estratégicas da albufeira, revela a capacidade da HCB de garantir um fornecimento de energia fiável", disse ainda Matola.

A produção de eletricidade em Moçambique caiu 25% em 2025, influenciada pela falta de água na albufeira da HCB, após o "pior registo pluviométrico" em 43 anos, segundo informação oficial noticiada antes pela Lusa.

Num relatório de execução orçamental de 2025, o Governo aponta que a produção global de energia elétrica no país foi de 14.408.381 MegaWatt-hora (MWh) - 14.408,3 GWh -, uma execução de 76,7% em relação ao plano anual e menos 25,4% face a 2024.

O país "é o maior produtor de hidroeletricidade na África austral" e "quase toda a sua produção provém da HCB", sendo "complementada por outras pequenas barragens sob gestão" da Eletricidade de Moçambique, acrescenta o relatório.

 

Tópicos
PUB