Biodiversidade angolana volta a ser estudada 40 anos depois por universitários
Lubango, Angola, 19 out (Lusa) - Estudantes universitários e docentes estão a retomar a recolha de dados sobre a fauna, flora e evolução do clima em Angola, quarenta anos depois dos últimos levantamentos, com a instalação de observatórios de biodiversidade.
A cidade do Lubango, na província da Huíla, sul de Angola, recebe o primeiro Observatório de Biodiversidade do país, em instalação no conhecido planalto da Tundavala, a 2.200 metros de altitude.
A coordenadora desta rede de monitorização, Fernanda Lages, explicou à agência Lusa que este observatório, o primeiro de cinco previstos para várias províncias, já está a ser instalado e, além da recolha de dados, servirá como "campo de treino" para os estudantes e docentes universitários que depois vão assegurar a operação dos restantes.
"Para nós, estes estudos têm uma importância acrescida porque não temos informações sobre fauna e flora, as que temos pararam em 1975 [fim do domínio colonial português]. Há este período todo, de quase 40 anos, em que as informações são dispersas e nem sabemos se são credíveis", explicou Fernanda Lages, igualmente diretora do herbário do Instituto Superior de Ciências da Educação do Lubango (ISCEL).
No planalto da Tundavala, além de pontos de recolha e monitorização de dados sobre biodiversidade local, atividade humana predatória e variações na vegetação, está já a ser instalada uma estação meteorológica para registar variações climáticas, nomeadamente chuvas, temperaturas e queimadas.
Nesta fase, aquele observatório, de uma rede que deverá recolher informações no sudoeste do país durante os próximos quatro anos, já envolve onze pessoas, entre alunos e docentes que realizam atividades no herbário de Lubango.
O projeto é financiado pelo Governo alemão em 235 mil euros e o objetivo é alargar estas operações ao envolvimento de estudantes de outras universidades de Angola.
"Estes grupos são importantes para verificar o que é que mudou de 1975 para aqui. Na nossa região, os estudos de fauna e flora foram bastantes razoáveis, mas se pensarmos no [províncias de] Moxico ou na Lunda quase não há trabalho feito, nem no tempo colonial", explicou a docente do ISCEL.
Variações de clima, de regime de chuvas, frequência de queimadas ou sobre grupos de animais presentes ou ausentes, são dados que os observatórios angolanos vão gerar e conjugar com outros do género.
"Angola só está a dar continuidade à rede de observatórios que vem da África do Sul e que vai até Marrocos", sublinhou.
Depois da Tundavala, seguem-se outros pontos de observação privilegiada da flora e fauna angolana, para fins de investigação, desenvolvimento de ações de conservação do ecossistema e valorização paisagística e ecológica.
"Todos os outros observatórios vão depender das pessoas que vão ser formadas neste primeiro. Para um biólogo, desde que haja fauna, flora, alguma coisa para registar, de forma padronizada, está feito. Podemos dizer que o observatório da Tundavala está operacional e já fizemos o primeiro levantamento", rematou Fernanda Lages.