Birmânia aumentou produção de ópio pelo sexto ano consecutivo
Banguecoque, 31 out (Lusa) -- A Birmânia produziu este ano cerca de 690 toneladas de ópio, base para o fabrico de heroína, o que supõe um aumento de 17 por cento face a 2011, o sexto consecutivo desde 2007, alertou hoje a ONU.
Segundo os dados da Agência das Nações Unidas contra a Droga e o Delito (ONUDD), a produção de papoilas, cuja resina é utilizada para fazer heroína, ópio e morfina, está concentrada nas áreas montanhosas do norte e nordeste da Birmânia, ocupando uma área de 51 mil hectares face aos 40 mil registados em 2011, segundo imagens captadas por satélite.
A quantidade de ópio produzida na Birmânia é, segundo as contas da ONU, suficiente para fazer mais de 69 mil quilos de heroína.
"Um fator que poderá explicar o ressurgimento da produção de ópio no Sudeste Asiático é a procura, tanto a nível nacional como regional", apontou a ONU no seu relatório.
Desde 2007 que a produção de ópio regista um aumento anual, que os especialistas atribuem em parte à crescente procura na China, onde, segundo dados da ONU, cerca de 2,2 milhões de pessoas consumiram 45 toneladas métricas de heroína em 2008, a maior parte introduzida no país pela sua fronteira com a Birmânia.
Outro fator que a ONU apresenta para este aumento da produção de ópio é o seu preço, que anualmente sobe, enquanto os aldeões ganham cada vez menos dinheiro com a venda das suas colheitas de culturas convencionais, introduzidas através de programas para a erradicação das plantações de papoilas.
Segundo os dados da ONU, um agricultor ganha cerca de 460 dólares (346 euros) com a venda de um quilo de ópio, o que faz com que o cultivo de ópio seja, pelo menos, 20 vezes mais rentável do que o do arroz, pois um só hectare de plantação de papoilas pode gerar receitas de até 5.000 dólares (3.860 euros).
Cerca de 91 por cento das plantações de papoilas estão concentradas no Estado de Shan, no nordeste da Birmânia, que faz fronteira com a Tailândia, e que há mais de cinco décadas é a morada dos chamados exércitos do narcotráfico.
O relatório da ONU cita ainda os dados oficiais do Governo birmanês, segundo os quais foram destruídos este ano 24 mil hectares de cultivo de papoilas, mais 17 mil do que em 2011.
Em 1993, a Birmânia produzia cerca de 1.800 toneladas de ópio, mas uma década depois, e em resultado dos programas de erradicação desenvolvidos no país como no Laos e na Tailândia, este número caiu para as 350 toneladas.
O norte e nordeste da Birmânia são áreas que fazem parte do chamado "Triângulo Dourado da Droga", que inclui o norte da Tailândia e o oeste do Laos.
A Birmânia produz 91 por cento do ópio do Triângulo Dourado, o segundo maior produtor mundial depois do Afeganistão.