Bispos apelam aos angolanos para estarem abertos à mensagem de Leão XIV
O porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) disse hoje, em Luanda, que as visitas do Papa trazem sempre uma mensagem, mas é necessário que "elas encontrem reflexo" naqueles a quem é transmitida.
Belmiro Chissengueti, também bispo de Cabinda, falava em conferência de imprensa sobre a visita a Angola do Papa Leão XIV, que se inicia no sábado e decorre até terça-feira, assegurando que "tudo está em estado de prontidão para o dia da chegada, dos encontros previstos e também das celebrações que terão lugar".
Esta é a terceira visita de um Papa a Angola, depois de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009.
O bispo angolano lembrou que, em 1992, quando o país vivia uma pausa na guerra depois da assinatura dos Acordos de Bicesse, em 1991, o Papa João Paulo II trouxe uma mensagem de reconciliação, de perdão, mas os angolanos não ouviram e "a guerra [retomada após as primeiras eleições pluripartidárias realizadas em setembro desse ano] continuou mais 10 anos".
Em 2009, aquando da vinda de Bento XVI, a mensagem visou sobretudo a administração pública e a luta contra a corrupção, lembrou.
"É ciência a nível do nosso país que, depois da guerra, o grande mal que impacta o desenvolvimento do país é a corrupção, ele chamou a atenção sobre isso. Ouvimos ou não, talvez bem ou mal", frisou.
Agora, o novo Papa "virá com outra mensagem, como peregrino da paz, da reconciliação, da esperança", para despertar nos angolanos a necessidade de "continuarem a construir um país bom para todos", destacou.
"De qualquer maneira, as mensagens são transmitidas e é preciso que elas encontrem reflexo naqueles para quem é transmitido, por conseguinte para todos nós, que devemos ser os primeiros a buscar este bem", disse.
Sobre o programa da visita, o bispo realçou que o Papa aterra às 15:00 de sábado, proveniente dos Camarões, e será acolhido pelos fiéis do aeroporto até à Cidade Alta, onde será recebido pelo Presidente angolano, João Lourenço.
"Neste trajeto haverá espaços e lugares de desaceleração, onde poderá saudar uma ou outra criança e um outro doente até chegar ao Palácio Presidencial, onde terá o encontro privado com o chefe de Estado", disse.
A seguir ao encontro com o Presidente angolano, está previsto um outro com a sociedade civil, corpo diplomático, partidos políticos, prevendo-se a presença de 400 convidados, estando ainda marcada, no mesmo dia, uma reunião com os bispos da CEAST, na Nunciatura Apostólica.
O ponto alto da visita será no domingo, estando previsto que o Papa chegue às 09:30 ao Kilamba, fazendo a volta com o Papa móvel no meio da multidão, antes do início da celebração da santa missa, na qual são esperados pelo menos um milhão de pessoas.
Para a visita, são esperados também bispos africanos de Moçambique, Zimbabué, República Democrática do Congo, República do Congo e África do Sul, que começam a chegar na sexta-feira.
O prelado adiantou que o programa inclui a presença de outras confissões cristãs, que estão convidadas para o encontro com a sociedade civil, para a missa na Muxima e para o encontro com os missionários e bispos católicos na paróquia de Fátima.
Por sua vez, o cónego Apolónio Graciano destacou o clima de serenidade entre os angolanos na visita do terceiro Papa ao país.
"Há agora uma serenidade, está-se a trabalhar com muita interação, com mais eficácia, nada em stresse", disse, acrescentando que as forças de defesa e segurança nacional "acautelaram tudo".
"Existe um posto de comando, Operação Santidade, está a funcionar em pleno e a corresponder àquilo que realmente deve ser feito para a medida da grandiosidade desta visita, desde o chefe de Estado até ao mais pequeno, todos empenhados no sentido de fazer que esta visita seja mais uma que pode orgulhar o nosso país", disse.
Em Angola, além da visita a Luanda, capital do país, Leão XIV vai ao Santuário de Nossa Senhora da Conceição da Muxima, na província do Icolo e Bengo, e à cidade de Saurimo, capital da província da Lunda Sul.