Boris Johnson promete resposta “robusta” se houver envolvimento da Rússia em caso de ex-espião

Boris Johnson promete resposta “robusta” se houver envolvimento da Rússia em caso de ex-espião

O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico disse hoje que a participação de Inglaterra no Mundial2018 de futebol, na Rússia, poderá não ser “normal” se for confirmado o envolvimento russo no ataque a um ex-espião encontrado inconsciente em Inglaterra. Boris Johnson diz que o Reino Unido dará uma resposta “adequada e robusta” se for confirmado o envolvimento da Rússia.

RTP /
Peter Nicholls - Reuters

Boris Johnson, que falava na Câmara dos Comuns, já tinha dito que o Reino Unido dará uma resposta “adequada e robusta” se for confirmado o envolvimento no caso em que foram encontradas duas pessoas inconscientes no domingo, num centro comercial em Salisbury.

As duas pessoas encontradas no sul de Inglaterra foram identificadas como sendo o ex-espião russo Serguei Skripal e a filha, Yulia, confirmou o governante britânico.

Segundo Johnson, se o envolvimento de Moscovo for provado, “será muito difícil imaginar que a representação do Reino Unido no evento decorra de forma normal”, ainda que não tenha clarificado de que forma pode afetar a participação da equipa inglesa ou de comitivas de representação.

A Rússia já respondeu. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros diz que as alegações do Reino Unido “não têm fundamento” e considerou que o Reino Unido deveria estar a investigar o caso em vez de acusar a Rússia.

Skripal, 66 anos, e a filha, 33, estão internados nos cuidados intensivos, em estado crítico, devido à exposição a uma substância ainda não determinada, e um elemento dos serviços de emergência que lhes prestou assistência foi também hospitalizado, segundo a polícia de Salisbury.

As autoridades estão a analisar amostras para determinar que substância pode ter sido utilizada e proibiram o acesso a um restaurante e a um bar situados no centro comercial em causa.

A polícia antiterrorista está a dar apoio à polícia local na investigação.

Em 2006, Skripal foi condenado na Rússia a 13 anos de prisão por espionagem a favor do Reino Unido. Foi libertado em 2010 no âmbito de uma troca de espiões.
"Exilados russos não são imortais"
Na reação a este caso, a Rússia assegura que não tem quaisquer informações sobre o assunto: “É uma situação trágica mas não temos informações sobre o que poderá ter acontecido, em que é que ele estava envolvido” disse Dmitry Peskov, porta-voz do Presidente russo.

O porta-voz assegurou ainda aos jornalistas que as autoridades do Kremlin estão prontas e disponíveis a cooperar na investigação. Questionado sobre a especulação da imprensa britânica sobre um envenenamento propositado por parte das autoridades russas, Dmitry Peskov respondeu apenas: “Não demoraram muito tempo”.

De facto, este caso tem algumas parecenças com o envenenamento de Alexander Litvinenko, dissidente de Moscovo e antigo responsável de intelligence que morreu em Londres, em 2006, depois de ter ingerido chá contaminado com uma substância radioativa.

O inquérito conduzido pelas autoridades britânicas concluiu que o assassinato “foi provavelmente aprovado” pelo Presidente russo, Vladimir Putin.

Em declarações à BBC Radio, Mark Rowley, responsável britânico de contraterrorismo, lembra que “os exilados russos não são imortais”.

“Eles também morrem. Pode haver uma certa tendência para as teorias da conspiração. Mas de qualquer das formas, também devemos estar alerta para a possibilidade de ameaças de estado”, acrescentou.

c/Lusa
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