BP tentou manipular resultados de investigação sobre os efeitos da maré negra

BP tentou manipular resultados de investigação sobre os efeitos da maré negra

Responsáveis da BP tentaram influenciar os resultados da investigação sobre os efeitos da maré negra no Golfo do México, revelam documentos hoje revelados pelo jornal "The Guardian".

RTP /
A BP tentou manipular dados científicos sobre a maré negra Daniel Beltra, EPA

Obtidos pela organização Greenpeace ao abrigo do Freedom of Information Act, a lei americana que regula o acesso aos documentos, os e-mails trocados entre vários responsáveis da BP mostram que a empresa tentou manipular dados ou conseguir melhores resultados das investigações para as quais tinha disponibilizado 500 milhões de dólares.

Num e-mail para um colega em 24 de Junho de 2010, o perito ambiental da BP Russell Putt perguntava: "Podemos "dirigir" os dinheiros da GRI [Gulf of Mexico Research Initiative] para um estudo específico (como está a fazer o gabinete do governador)? Que influência temos sobre os barcos/equipamento no estudo em função das questões?"

Alguns cientistas já tinham mostrado descontentamento sobre o poder que a BP tem nos estudos sobre os efeitos da maré negra, uma vez que a empresa é o principal financiador. Em causa poderão estar muitos milhões de dólares de indemnizações, que a BP quer reduzir ao máximo. Controlar os estudos científicos sobre os efeitos da maré negra pode ajudar nesse objetivo.

Alguns dos documentos obtidos pela Greenpeace e entregues ao jornal "The Guardian" sugerem que as tentativas de influência poderão ter chegado até vários responsáveis das agências governamentais americanas, como a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) e a Environmental Protection Agency (EPA).
PUB