Brasil acolhe reunião Atlântico Sul para blindar região contra conflitos externos

Brasil acolhe reunião Atlântico Sul para blindar região contra conflitos externos

O Brasil vai acolher a reunião dos países do Atlântico Sul para garantir que a região permanece uma zona de paz e evitar que potências externas tragam os seus conflitos" para países da América do Sul e África.

Lusa /

No Palácio do Itamaraty, em conferência de imprensa sobre a 9.ª Reunião Ministerial da Zopacas (Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul) que acontecerá quarta e quinta-feira na cidade do Rio de Janeiro, o secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Ministério das Relações Exteriores reforçou que o objetivo passa por "manter a região como um espaço de paz e cooperação entre os países da região e evitar que potências externas tragam os seus conflitos e os seus problemas para cá".

 "A ideia é exatamente manter isso afastado", disse, Carlos Márcio Bicalho Cozendey, referindo-se às ambições do Brasil, que vai suceder a Cabo Verde e assumir a presidência do mecanismo para os próximos três anos.

A última reunião ministerial ocorreu em 2023 na cidade cabo-verdiana de Mindelo, com o Brasil agora a querer "consolidar a zona de paz, também como uma zona de cooperação efetiva,  dar densidade para o tipo de cooperação e o tipo de relacionamento entre os países da região", afirmou o diplomata brasileiro.

Fonte da diplomacia brasileira disse à Lusa, até ao momento, há 12 delegações em nível ministerial confirmadas: Brasil, Angola, Cabo Verde, República Democrática do Congo, Guiné Euqtorial, Gabão, República do Congo, São Tomé e Príncipe, Sierra Leone, Gambia, Togo e Uruguai.

Há a expectativa de que o chefe de Estado brasileiro, Lula da Silva, participe do encerramento da reunião, que será aberta pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, José Luís do Livramento Monteiro Alves de Brito, e pelo seu homólogo brasileiro, Mauro Vieira.

Segundo o responsável brasileiro, os países deverão assinar três documentos que incluem a convenção sobre o ambiente marinho, estratégia de cooperação, estabelecendo três áreas de atuação e a Declaração do Rio de Janeiro, de caráter político.

Criada em 27 de outubro de 1986 por iniciativa do Brasil, com apoio da Argentina, a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS) surgiu através de uma resolução da ONU para promover a paz, a segurança e a cooperação entre países da América do Sul e da costa ocidental da África.

 O fórum busca fortalecer a integração regional no Atlântico Sul, incentivando o desenvolvimento económico e social, a proteção ambiental, a conservação de recursos e a não proliferação de armas de destruição em massa.

O Brasil já sediou duas das oito reuniões ministeriais do mecanismo, no Rio de Janeiro (1988) e em Brasília (1994).

Além dessas, ocorreram reuniões ministeriais em Abuja (1990), Somerset West (1996), Buenos Aires (1998), Luanda (2007), Montevidéu (2013), e Mindelo (2023).

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