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Brasil. Garimpeiros abrem "caminho do caos" na Amazónia dos Yanomami
Uma operação da Greenpeace permitiu descobrir um caminho ilegal, aberto por máquinas escavadoras, na Amazónia, na fronteira brasileira com a Venezuela. Os ativistas chamam a abertura ilegal de "caminho do caos" que tem permitido a muitas máfias entrarem em zonas protegidas e explorarem ouro.
Danicley de Aguiar, ambientalista, fez o reconhecimento através de um avião que explorou a zona indígena do norte da Amazónia e descobriu um caminho de 120 quilómetros que permite a escavadoras atravessar grandes porções de território para a exploração mineira.
Aguiar explicou, numa reportagem conjunta entre o The Guardian e a TV Globo, que nunca tinha visto tanta maquinaria na região Yanomami, com vários rios, montanhas e florestas.
“Acreditamos que existam pelo menos quatro escavadoras o que leva a exploração mineira a um nível de destruição colossal”. O avião levava várias pessoas para descobrir o caminho e mostrar ao mundo o que está a acontecer na maior reserva natural do mundo.
“Encontrámos, pessoal”, disse um dos pilotos do avião em jeito de celebração a todos os que estavam na aeronave. “Este é o caminho do caos”, disse Aguiar através do sistema de comunicação.
“E isto é o caos”, acrescentou Aguiar apontando para um buraco onde estavam três escavadoras a tentar encontrar ouro, perto do rio Catrimani. Num outro espaço, uma quarta escavadora foi vista perto de uma comunidade indígena de 27 mil pessoas.
A líder indígena Sónia Guajajara, que também estava no avião, diz que os criminosos na Amazónia aproveitaram-se da eleição presidencial para levar as escavadoras sem que ninguém notasse. “As pessoas estavam focadas noutras coisas e aproveitaram-se disso mesmo”, explicou Guajajara.
Exploração amazónica de longa data
Os garimpeiros são conhecidos há muito. A região Yanomami começou a ser explorada durante os anos 70, depois de a ditadura militar ter instado os cidadãos daquela zona a explorarem o que considerou ser “terra de nenhum homem”. Muitos fizeram fortuna e os impactos para os Yanomami foram devastadores.
Pessoas de fora trouxeram doenças e mataram muitos indígenas. Muitos mineiros acabaram por ser expulsos nos anos 90, ação que foi parte de uma operação denominada de “Selva Livre”. Após pressão internacional, o Brasil decidiu, pela mão de Fernando Collor de Melo, criar uma reserva protegida Yanomami.
“Temos de garantir aos Yanomami um espaço para que não percam a sua identidade cultural ou o seu habitat”, declarou Mello na altura.
Esforços que tiveram algum sucesso mas que acabaram por esmorecer com o regresso dos garimpeiros, quando os preços do ouro estavam em alta.
“Foi um governo sanguinário”, disse Júnior Hekurari, um líder Yanomami que culpa Bolsonaro pela invasão de mineiros e de ter uma retórica anti-indígena. O Guardian lembrou o falecido Dom Philips, que foi assassinado na Amazónia, e as descobertas que o jornalista fez no local.
Philips encontrou pelo caminho vários mineiros a desflorestar a zona em ações sem precedentes, o que o jornalista chamou de “inferno industrial”.
“Era inacreditável. Estamos no meio desta floresta e é como se estivéssemos nos filmes sobre o antigo Egito, com todas aquelas máquinas a destruir tudo à sua volta para fazer dinheiro”, explicou o fotógrafo João Laet que acompanhou o antigo jornalista.
A procuradora criminal da região Yanomami disse que esta descoberta é problemática e que as populações naquele local estão a viver uma “situação de tragédia humanitária”. Alisson Muragal acusa os mineiros de continuarem a trazer doenças e de imporem violência sexual sobre as populações, avisando que as agências ambientais no Brasil têm pouco financiamento.
Marugal disse também que parar a exploração mineira nesta zona é possível desde que haja vontade política para o fazer.
Aguiar explicou, numa reportagem conjunta entre o The Guardian e a TV Globo, que nunca tinha visto tanta maquinaria na região Yanomami, com vários rios, montanhas e florestas.
“Acreditamos que existam pelo menos quatro escavadoras o que leva a exploração mineira a um nível de destruição colossal”. O avião levava várias pessoas para descobrir o caminho e mostrar ao mundo o que está a acontecer na maior reserva natural do mundo.
“Encontrámos, pessoal”, disse um dos pilotos do avião em jeito de celebração a todos os que estavam na aeronave. “Este é o caminho do caos”, disse Aguiar através do sistema de comunicação.
“E isto é o caos”, acrescentou Aguiar apontando para um buraco onde estavam três escavadoras a tentar encontrar ouro, perto do rio Catrimani. Num outro espaço, uma quarta escavadora foi vista perto de uma comunidade indígena de 27 mil pessoas.
A líder indígena Sónia Guajajara, que também estava no avião, diz que os criminosos na Amazónia aproveitaram-se da eleição presidencial para levar as escavadoras sem que ninguém notasse. “As pessoas estavam focadas noutras coisas e aproveitaram-se disso mesmo”, explicou Guajajara.
Exploração amazónica de longa data
Pessoas de fora trouxeram doenças e mataram muitos indígenas. Muitos mineiros acabaram por ser expulsos nos anos 90, ação que foi parte de uma operação denominada de “Selva Livre”. Após pressão internacional, o Brasil decidiu, pela mão de Fernando Collor de Melo, criar uma reserva protegida Yanomami.
“Temos de garantir aos Yanomami um espaço para que não percam a sua identidade cultural ou o seu habitat”, declarou Mello na altura.
Esforços que tiveram algum sucesso mas que acabaram por esmorecer com o regresso dos garimpeiros, quando os preços do ouro estavam em alta.
Situação preocupante após eleição de Jair Bolsonaro
Muitos ativistas acusam Jair Bolsonaro de ter piorado a situação na Amazónia e de ter dado carta branca aos mineiros para explorar uma terra que devia estar aberta ao desenvolvimento comercial e económico do Brasil.
“Foi um governo sanguinário”, disse Júnior Hekurari, um líder Yanomami que culpa Bolsonaro pela invasão de mineiros e de ter uma retórica anti-indígena. O Guardian lembrou o falecido Dom Philips, que foi assassinado na Amazónia, e as descobertas que o jornalista fez no local.
Philips encontrou pelo caminho vários mineiros a desflorestar a zona em ações sem precedentes, o que o jornalista chamou de “inferno industrial”.
“Era inacreditável. Estamos no meio desta floresta e é como se estivéssemos nos filmes sobre o antigo Egito, com todas aquelas máquinas a destruir tudo à sua volta para fazer dinheiro”, explicou o fotógrafo João Laet que acompanhou o antigo jornalista.
A procuradora criminal da região Yanomami disse que esta descoberta é problemática e que as populações naquele local estão a viver uma “situação de tragédia humanitária”. Alisson Muragal acusa os mineiros de continuarem a trazer doenças e de imporem violência sexual sobre as populações, avisando que as agências ambientais no Brasil têm pouco financiamento.
Marugal disse também que parar a exploração mineira nesta zona é possível desde que haja vontade política para o fazer.