Brasil identifica mais de 2.000 trabalhadores em condições análogas à escravatura
O Governo brasileiro identificou mais de 2.000 trabalhadores em condições análogas à escravatura e incluiu 169 novos empregadores que submeteram pessoas a esta situação, de acordo com dados oficiais divulgados.
O documento atualizado na segunda-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), conhecido como "lista suja" do trabalho escravo, divulgado a cada seis meses, tem na sua maioria empresas de serviços domésticos, da construção civil e do agronegócio.
Com a atualização do Governo brasileiro, a "lista suja" conta com 613 empresas e pessoas físicas que submeteram um total de 2.247 trabalhadores à condições análogas à escravatura.
Os empregadores permanecem no cadastro por dois anos, mas podem ter os seus nomes retirados antes desse prazo, caso assinem um acordo de regularização com o MTE e cumpram outras exigências por parte das autoridades.
A atualização do cadastro também excluiu 225 empregadores que completaram os dois anos de permanência na "lista suja".
Entre os novos nomes incluídos no cadastro estão o cantor Amado Batista - ícone do género brega-romântico brasileiro - e também a fabricante chinesa de automóveis de carros elétricos BYD.
No caso da gigante chinesa, segundo a imprensa brasileira, o Governo do Brasil autuou em 2025 a BYD por submeter 163 trabalhadores chineses à condições análogas à escravidão, após uma investigação revelar que mais de 400 trabalhadores foram levados ao Brasil de forma irregular para trabalhar nas obras da fábrica, no estado da Bahia.
Em relação ao cantor Amado Batista, a inspeção do MTE identificou que 14 trabalhadores foram submetidos a condições degradantes na sua quinta.
A BYD não se quis manifestar, já a assessoria de imprensa de Amado Batista garantiu estar a tomar "todas as providências administrativas para o encerramento" das autuações.
Ainda assim, sinalizaram serem "completamente falsas e inverídicas" as informações que os 14 trabalhadores foram resgatados.