Brexit sem condições dá argumentos a eurocéticos em toda a UE

Brexit sem condições dá argumentos a eurocéticos em toda a UE

O Reino Unido começa em Março a saída da União Europeia e já anunciou que quer sair do Mercado Único sem qualquer condições. Angela Merkel perde assim o seu principal trunfo para forçar um acordo que não leve a um voltar de costas dos ingleses à economia dos 27.
"Há um despique entre duas senhoras que têm a capacidade para ter uma posição férrea", lembra no Jornal 2 Miguel Szymanski que lembra uma saída sem condições deixa o Reino Unido liberto para se olhar de outra forma para os Estados Unidos, a Commonwealth, ou para atrair empresas ao país com uma política fiscal agressiva.

João Fernando Ramos, Rui Sá /
Theresa May adiantou que irá negociar um novo entendimento com Bruxelas num prazo de dois anos, mas avisou que não aceita medidas punitivas contra Londres.

Miguel Szymanski, recorda que a reação positiva dos mercados ao anuncio da Primeiro-ministro inglesa indicia outro problema, de maior dimensão. Com eleições na Holanda, França e Alemanha os movimentos eurocéticos ganham argumentos para as suas propostas populistas.

O comentador de assuntos internacionais e jornalista alemão a trabalhar em Portugal fala num momento novo onde o risco de fragmentação da união europeia passou a ser muito real.

"A posição alemã é de não fazer qualquer concessão ao Reino Unido para evitar o efeito de copia noutros estados", diz o Miguel Szymanski que lembra no entanto que falta moeda de troca perante a desconcertante declaração de May de querer sair sem qualquer pedido à União.

"A arrogância de Bruxelas é posta em causa. A ameaça com saídas aos países do sul (Grexit) começou por ser um passatempo do ministro das finanças alemão e Theresa May vem agora mostrar que há fronteiras para a arrogância da Europa".
PUB