Buenos Aires protesta contra presença de navio militar britânico em águas argentinas

Buenos Aires protesta contra presença de navio militar britânico em águas argentinas

Buenos Aires, 16 jul 2026 (Lusa) - A Argentina apresentou um protesto formal ao Reino Unido contra a presença de um navio da Marinha britânica em águas do Atlântico Sul sob jurisdição do país sul-americano, informaram esta quarta-feira fontes oficiais.

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Foto: Rede Social Reddit

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Argentina comunicou que, na passada segunda-feira, entregou uma nota de protesto à embaixada britânica em Buenos Aires para expressar o "mais enérgico repúdio pela realização de movimentos do navio HMS Medway, destacado ilegalmente nas Ilhas Malvinas", arquipélago sob domínio britânico cuja soberania é reivindicada pela Argentina.

Segundo o comunicado, os movimentos do HMS Medway, um navio de patrulha da Marinha britânica, "não foram devidamente notificados em conformidade com os acordos e declarações bilaterais vigentes, envolvendo o trânsito pelo mar territorial argentino".

"O Governo argentino rejeita com firmeza esta incursão militar britânica em espaços sob jurisdição argentina, que se soma a uma política sustentada de atos unilaterais incompatíveis com as resoluções das Nações Unidas e com o dever de ambas as partes se absterem de alterar a situação enquanto a disputa de soberania permanecer pendente de solução", acrescenta o texto.

A Argentina afirmou que os "movimentos sem consulta e ilegais" do navio "contrariam os compromissos bilaterais sobre medidas de fomento da confiança no plano militar vigentes entre os dois países".

O Governo argentino sustentou ainda que os movimentos do HMS Medway "se somam à longa série de ações unilaterais" que o Reino Unido realiza em contravenção da resolução 31/49 da Assembleia Geral das Nações Unidas, que exorta ambas as partes a absterem-se de ações unilaterais relativas às Malvinas enquanto a controvérsia de soberania não estiver resolvida.

"Longe de gerar condições de confiança e entendimento que uma relação bilateral madura exige, estas ações aprofundam as tensões no Atlântico Sul, ignoram o mandato reiterado da comunidade internacional e dificultam os esforços argentinos para avançar rumo a uma solução pacífica e negociada da controvérsia", afirmou o comunicado.

O país sul-americano, que em 1982 esteve em guerra com o Reino Unido pelo controlo das Malvinas, reafirmou "os seus legítimos e imprescritíveis direitos de soberania" sobre as ilhas e os espaços marítimos circundantes.

"Por história, por direito e por convicção, as Malvinas são argentinas", conclui a nota.

Embora a nota de protesto tenha sido apresentada na segunda-feira, o comunicado diplomático só se tornou público na quarta-feira, pouco depois de a seleção argentina de futebol vencer a Inglaterra nas meias-finais do Mundial de 2026, partida em que voltou a pairar a questão das Malvinas.

Após o triunfo por 2-1, os próprios jogadores argentinos exibiram uma bandeira com a frase: "As Malvinas são argentinas".

 

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