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Burkina Faso. "A democracia não é para nós" diz o líder da junta militar

Burkina Faso. "A democracia não é para nós" diz o líder da junta militar

Catarina Miranda - RTP /
As reações às declarações de Ibrahim Traoré foram recolhidas e podem ser acompanhadas em comentários e debates públicos nas redes sociais, com diferentes perspetivas sobre o Sahel e o contexto político. As fontes de informação vão da Jeune Afrique, Africanews e The Africa Report ao nigeriano Daily Trust e, a nível internacional, à BBC News (secção África), à Al Jazeera, à Reuters e à France 24.

As declarações de Ibrahim Traoré têm impacto direto na dinâmica de segurança no Sahel, uma das regiões mais afetadas do mundo pela violência extrema. Para alguns cidadãos africanos e analistas, a posição do líder da junta militar do Burkina Faso pode reforçar a coordenação regional e aumentar a capacidade de resposta imediata às ameaças, sobretudo após a retirada ou redução da presença militar ocidental.

As declarações de Ibrahim Traoré podem gerar debate no continente africano, não só sobre o rumo político do Burkina Faso, mas também sobre o legado de Thomas Sankara, o revolucionário marxista e pan-africanista que foi Presidente do país entre 1983 e 1987, até ao seu assassinato.

Ao afirmar que os burquinabés devem "esquecer a democracia" ou "a democracia não é para nós", Traoré coloca a segurança e a soberania nacional acima das eleições e do pluralismo político. Alguns pan-africanistas vêem nesta posição uma rejeição de modelos políticos herdados do colonialismo %u2014 como as eleições %u2014 e um passo firme na luta pela autodeterminação. Outros alertam para um afastamento do espírito da revolução iniciada após o golpe de Estado no Alto Volta, em 1983. Embora tenha também chegado ao poder por via militar, Thomas Sankara promoveu a participação popular e reformas sociais com uma base civil."

A equação coloca, de um lado, o apoio a uma liderança forte face a ameaças internas e externas e, do outro, a preocupação com o risco de consolidação de um regime militar duradouro, com limitações à participação política e às liberdades civis. Recorde-se que, em janeiro deste ano, um decreto aprovado pelo governo do Burkina Faso dissolveu todos os partidos e formações políticas do país.
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