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Burkina Faso. "A democracia não é para nós" diz o líder da junta militar
As declarações de Ibrahim Traoré têm impacto direto na dinâmica de segurança no Sahel, uma das regiões mais afetadas do mundo pela violência extrema. Para alguns cidadãos africanos e analistas, a posição do líder da junta militar do Burkina Faso pode reforçar a coordenação regional e aumentar a capacidade de resposta imediata às ameaças, sobretudo após a retirada ou redução da presença militar ocidental.
As declarações de Ibrahim Traoré podem gerar debate no continente africano, não só sobre o rumo político do Burkina Faso, mas também sobre o legado de Thomas Sankara, o revolucionário marxista e pan-africanista que foi Presidente do país entre 1983 e 1987, até ao seu assassinato.
Ao afirmar que os burquinabés devem "esquecer a democracia" ou "a democracia não é para nós", Traoré coloca a segurança e a soberania nacional acima das eleições e do pluralismo político. Alguns pan-africanistas vêem nesta posição uma rejeição de modelos políticos herdados do colonialismo %u2014 como as eleições %u2014 e um passo firme na luta pela autodeterminação. Outros alertam para um afastamento do espírito da revolução iniciada após o golpe de Estado no Alto Volta, em 1983. Embora tenha também chegado ao poder por via militar, Thomas Sankara promoveu a participação popular e reformas sociais com uma base civil."
A equação coloca, de um lado, o apoio a uma liderança forte face a ameaças internas e externas e, do outro, a preocupação com o risco de consolidação de um regime militar duradouro, com limitações à participação política e às liberdades civis. Recorde-se que, em janeiro deste ano, um decreto aprovado pelo governo do Burkina Faso dissolveu todos os partidos e formações políticas do país.