Buscas na sede do PSOE em Madrid

Buscas na sede do PSOE em Madrid

A Guardia Civil está a realizar buscas na sede do partido socialista espanhol, em Madrid. A informação está a ser avançada pelo El País.

RTP /
AFP

A Unidade Central Operativa (UCO) Polícia Judicial da Guardia Civil espanhola entrou na sede nacional do Partido Socialista para realizar uma busca, na sequência de um despacho do juiz Santiago Pedraz, relacionado com o processo de Leire Díez, a "operacional “do partido investigada por tráfico de influências.

Durante a mesma operação, os agentes estão a realizar várias buscas, incluindo nas casas em Madrid dos antigos líderes socialistas Gaspar Zarrías e Santos Cerdán, bem como do empresário Javier Pérez Dolset, todos indiciados no caso, acrescenta o El País que cita fontes próximas da investigação.

Os agentes deverão também recolher depoimentos de diversas pessoas. Fontes jurídicas e de investigação afirmam que o caso inclui suspeitas de pagamentos do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol) a Leire Díez e outros, e centra-se também em alegadas operações de "manipulação" contra juízes e procuradores.

"O Partido Socialista é diferente do PP (Partido Popular), e já o demonstrámos em muitas ocasiões. Não há aqui destruição de provas. Portanto, todas as informações solicitadas serão fornecidas", afirmou a porta-voz do PSOE, Montse Mínguez, que procurou transmitir uma mensagem de "calma" e cooperação durante uma entrevista à Rádio Catalunya esta quarta-feira.

Este caso investiga também um alegado esquema de corrupção pelo qual a própria Leire Díez foi detida em dezembro; Vicente Fernández Guerrero, ex-presidente da SEPI (Empresa Estatal de Participações Industriais); e o empresário basco Antxon Alonso, proprietário da empresa Servinabar e amigo de Santos Cerdán, antigo secretário de Organização do PSOE.

Segundo a investigação, os três indivíduos — que utilizavam um grupo de WhatsApp chamado Hiruro, que significa "nós os três" em basco, para comunicarem entre si — terão formado uma rede para recolher comissões ilegais entre 2021 e 2023, com a ajuda de vários funcionários públicos.

A investigação centra-se em cinco transações que totalizam 132,9 milhões de euros em subsídios e contratos. Os três foram acusados de improbidade administrativa, peculato, tráfico de influência e crime organizado.

Entre as empresas envolvidas estão a Mercassa; a Enusa; o Parque Empresarial Principado de Asturias (PEPA); a Sepides, subsidiária da SEPI; a Servinabar; a Forestalia, empresa de energias renováveis; e a Tubos Reunidos, para a qual a SEPI aprovou um resgate de 112,8 milhões de euros em 2021 (que exigia a aprovação do Conselho de Ministros). Os subornos, que segundo as estimativas iniciais ultrapassaram os 750 mil euros, terão sido canalizados através de uma empresa chamada Mediaciones Martínez S.L.

Minutos depois de a operação se ter tornado pública, o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, reiterou, nos corredores do Congresso o apelo por eleições antecipadas. “Estamos numa situação crítica; estamos a questionar a decência não só do governo, não só do Partido Socialista, mas agora começamos a enfrentar o risco de contágio”.

No Congresso, o primeiro vice-presidente do Governo e ministro da Economia, Carlos Cuerpo, defendeu “a tolerância zero para qualquer tipo de comportamento irregular ou ilegal” e pediu “respeito pelos processos judiciais e pela presunção de inocência”.

O partido de Sánchez tem sido assolado por uma série de escândalos de corrupção, incluindo várias investigações contra aliados importantes e familiares.


Um tribunal afirmou na semana passada que o ex-primeiro-ministro socialista e aliado próximo de Sánchez, José Luis Rodríguez Zapatero, estava a ser investigado por suspeita de liderar uma rede de tráfico de influências e branqueamento de capitais, em mais um golpe para o Governo de esquerda. Zapatero negou qualquer irregularidade.
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