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Cabo Verde - Barco com imigrantes clandestinos vai ser devolvido a alto mar

Cabo Verde - Barco com imigrantes clandestinos vai ser devolvido a alto mar

O barco de pesca com 58 imigrantes clandestinos a bordo que se encontra ao largo do porto da Cidade da Praia, vai ser "escoltado" para fora das águas cabo-verdianas, garantiu hoje à Agência Lusa o ministro da Administração Interna.

Agência LUSA /

Júlio Correia adiantou que a decisão de expulsar a embarcação, que tem a bordo 58 clandestinos e cinco tripulantes, de águas cabo- verdianas decorre da política nacional de combate ao crime que envolve tráfico de pessoas e imigração clandestina.

O governante referiu ainda que os ocupantes do pesqueiro estão a ser abastecidos de água e alimentos e a partida terá lugar logo que a avaria nas máquinas do barco esteja reparada.

Este pesqueiro, com pavilhão do Gana, tripulação da Mauritânia e com origem no porto de Dacar, Senegal, com 58 cidadãos senegaleses, da Guiné-Bissau e do Mali, que pretendiam chegar às ilhas espanholas das Canárias, foi encontrado à deriva nas proximidades da ilha Brava, no sábado passado.

Depois de ter sido impedido de atracar na Brava, depois no Fogo e, por último, no porto da Cidade da Praia, capital do país, na ilha de Santiago, o pesqueiro prepara-se agora para continuar a viagem, eventualmente, rumo às Canárias, destino original, visto que os meios navais cabo-verdianos só o escoltarão até águas internacionais.

No entanto, apesar de o governo garantir que os cidadãos da África Ocidental estão a ser "tratados com dignidade", a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) de Cabo Verde manifesta algumas reservas quanto à decisão de enviar o barco de novo para alto mar.

Amílcar Baptista, responsável pelo grupo de trabalho da CNDH dos presos, repatriados e imigração, admitiu à Lusa que se colocam várias questões à decisão de devolver o barco a alto mar.

"Alguns dos possíveis problemas são o eventual regresso do barco a Cabo Verde, noutra ilha, propositadamente ou não, ou a ocorrência de nova avaria, com perigo de as 63 pessoas a bordo serem arrastadas ao sabor das correntes até se extinguirem os mantimentos", explicou.

Este responsável pela comissão de Direitos Humanos garante que "tudo está a ser feito" para garantir que não serão cometidos "quaisquer atentados" à dignidade humana, admitindo, no entanto, que "existe um impasse em relação ao pedido de reunião com as autoridades cabo-verdianas".

Uma das exigências "imediatas" é que sejam prestados todos os cuidados médicos aos ocupantes do barco antes de serem tomadas quaisquer outras decisões.

De acordo com as últimas informações prestadas pelas autoridades marítimas de Cabo Verde, a avaria que obrigou o pesqueiro a aproximar-se de Cabo Verde poderá ser reparada ainda hoje e, de seguida, este seguirá rumo a alto mar escoltado por meios navais da Guarda Costeira.


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