Cabo Verde e Portugal querem ajudar a construir soluções dizem Presidentes
Os Presidentes de Cabo Verde e de Portugal disseram hoje que querem ajudar a construir soluções quando questionados sobre se a Guiné-Bissau tinha sido motivo de conversa entre ambos, durante a visita de Estado de Seguro ao arquipélago.
"Da perspetiva de Portugal, a nossa disponibilidade é sempre para ajudar, é sempre fazer parte da solução. A posição de princípio é conhecida, foi divulgada e reiterada na semana passada, numa declaração da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP]", disse António José Seguro.
O chefe de Estado falava numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo cabo-verdiano, José Maria Neves, na ilha da Boa Vista, no último dia da visita que começou na terça-feira.
"Falámos das nossas relações no quadro da CPLP", disse o Presidente cabo-verdiano, referindo que o seu país pretende "mobilizar forças construtivas".
"Nós queremos é construir, quando é muito mais fácil alimentar conflitos ou alimentar forças que possam destruir. Queremos o diálogo e, com todos os países, sobretudo com a Guiné-Bissau, queremos ter pontos de contacto", referiu.
José Maria Neves enfatizou o desejo de Cabo Verde de "dialogar" e de ser útil para que, "conjuntamente", se possam encontrar "as melhores soluções, não só para reforço das relações bilaterais, mas também para o crescimento e o desenvolvimento dos dois países".
"Espero que possamos continuar a dialogar e a encontrar as melhores soluções para o futuro dos nossos países e para o reforço da CPLP, que tem enormes potencialidades no quadro internacional", concluiu.
A Guiné-Bissau está suspensa da CPLP desde dezembro do ano passado, na sequência do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, quando os militares tomaram o poder, três dias após as eleições e antes de serem divulgados os resultados.
Os militares depuseram o presidente e recandidato Umaro Sissoco Embaló e detiveram o líder da oposição, Domingos Simões Pereira, que foi colocado em prisão preventiva no passado dia 10.
A oposição classifica o golpe militar como uma alegada encenação do antigo Presidente da República, a quem acusa de continuar a comandar os destinos da Guiné-Bissau.
O autodenominado Alto Comando Militar que controla o país marcou novas eleições para 06 de dezembro e aprovou uma nova Constituição que atribui mais poderes ao chefe de Estado e que será submetida a referendo em 30 de agosto.
Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.