Cabo Verde. Eleitores inscritos crescem mais na diáspora do que nas ilhas
O número de eleitores em Cabo Verde está a crescer mais depressa na diáspora (36,5%) do que no território nacional (1%), informou hoje a Comissão Nacional de Eleições (CNE).
O total de eleitores provisório ascende a 416.335 (o apuramento final será feito nos próximos dias) e mais de um sexto (72.051) está inscrito em círculos eleitorais no estrangeiro, distribuídos por 22 países -- os mais representativos são Portugal (26.419), Estados Unidos (13.872) e França (11.1017).
Os eleitores inscritos na diáspora aumentaram 36,5% em relação a 2021, "um crescimento particularmente expressivo", referiu a CNE, em conferência de imprensa, na cidade da Praia.
O número de eleitores residentes no arquipélago cresceu apenas 1%.
Para já, os números indicam que, "praticamente em todos os círculos no território nacional, houve uma diminuição de números de inscritos, com exceção da Praia", acrescentou a presidente da CNE, Maria do Rosário Gonçalves.
Segundo referiu, a subida no exterior "deve-se sobretudo à implementação de um sistema de recenseamento diferente".
Uma experiência piloto está a utilizar "o portal dos serviços consulares para fazer a inscrição no recenseamento, a título experimental: quando os cidadãos vão aos serviços para fazerem ou renovarem os respetivos passaportes, podem ficar também inscritos no recenseamento eleitoral cabo-verdiano".
A nível nacional, "o sistema de recenseamento continua a ser o mesmo", através de `kits` de comissões de recenseamento, "dependendo da disponibilidade do eleitor deslocar-se ou não às comissões para fazer a inscrição".
Somando tudo, os cerca de 416.300 eleitores inscritos para as eleições legislativas de 17 de maio representam um crescimento de 6% em relação às anteriores (2021).
A ilha de Santiago, que inclui a capital, Praia, elege 33 dos 72 deputados da Assembleia Nacional.
As restantes oito ilhas elegem outros 33 e os círculos no estrangeiro escolhem seis deputados.
Para estas eleições, a CNE recebeu dos tribunais um total de 48 listas, apresentadas por cinco partidos políticos.
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição) e o Movimento para a Democracia (MpD, poder), as duas forças partidárias que se têm alternado no poder, são as únicas que apresentam listas nos 13 círculos eleitorais.
A (UCID), terceira força parlamentar, concorre em dez, deixando de fora as ilhas Brava, do Maio e da Boa Vista.
Dois partidos sem representação parlamentar (Partido Popular e Partido Trabalho e Solidariedade) apresentam listas em seis círculos cada qual.
"As 48 listas admitidas representam um total de 556 candidatos, dos quais 300 efetivos e 256 suplentes, sendo 52,8% do sexo masculino e 47,1% do sexo feminino", informou ainda a CNE, referindo que todas as candidaturas cumpriram a lei da paridade (nenhum género com representação inferior a 40%).
A idade dos candidatos varia entre os 18 e os 77 anos.
"Cerca de 40% dos candidatos tem menos de 40 anos, 33,9% tem entre 40 e 49 anos e os restantes 26% têm 50 anos ou mais", indicou a CNE.
O período de pré-campanha tem sido "bastante competitivo", referiu a presidente da CNE.
"Recebemos queixas relacionadas sobretudo com a eventual violação do dever de neutralidade da administração pública. Suscitou-se bastante a discussão em torno desta questão, o que já é recorrente", referiu Maria do Rosário Gonçalves.
A campanha eleitoral arranca às 00:00 de quinta-feira, 30 de abril, decorrendo até ao último minuto de 15 de maio, sexta-feira.
O primeiro-ministro e presidente do Movimento para a Democracia (MpD), Ulisses Correia e Silva, no cargo desde 2016, candidata-se a um terceiro mandato consecutivo, enquanto o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), principal força da oposição, apresenta o seu presidente e autarca da capital, Francisco Carvalho, para tentar voltar ao poder.
Os dois partidos têm governado o país desde as primeiras eleições livres, em 1991, e ocupam atualmente o parlamento com 38 deputados do MpD e 30 do PAICV, cabendo ainda quatro à União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), que ambiciona ter um papel relevante num eventual cenário sem maioria absoluta.